quarta-feira, 3 de junho de 2026

Ushuaia - Lago Escondido e Fagnano - Argentina

 7 janeiro de 2011


Acordamos às 8h30, tomamos o café da manhã e seguimos para a agência Rumbo Sur [1] para o nosso passeio aos Lagos Escondido e Fagnano (custou ARS 200,00 por pessoa, sem almoço). Preciso destacar a nossa guia, Laura, que foi simplesmente maravilhosa! Ela explicou tudo sobre Ushuaia: a história das tribos pioneiras, os costumes locais, o crescimento da cidade e a realidade de se morar no 'fim do mundo'. Sendo sincera, o passeio valeu muito mais pelo conhecimento dela do que pelas paisagens em si, já que o clima não ajudou — enfrentamos chuva e muito frio nas paradas para fotos.
O roteiro começou nas Turfeiras, com uma explicação fantástica sobre a sua formação geológica. A segunda parada foi no mirante do Lago Escondido e a terceira no Centro Invernal Tierra Mayor, onde programamos nosso almoço na volta. A quarta e última parada foi na margem norte do Lago Fagnano, onde a Laura deu a melhor explicação sobre a formação da Cordilheira dos Andes que já ouvi na vida!
No retorno, paramos no centro invernal. Como havíamos levado lanches, apenas comemos nossos sanduíches e tomamos um chocolate quente delicioso. Enquanto o restante do grupo almoçava (o menu de cordeiro ou truta saía por ARS 84,00), fomos os únicos a visitar o canil da propriedade. Ali, criam Huskies e cães mestiços para competições de corrida e passeios de trenó no inverno. O cuidador foi super atencioso e nos explicou em detalhes sobre o esporte, o treinamento, as linhagens e como funciona a liderança da matilha. Fiquei impressionada!



Retornamos à cidade por volta das 16h e fiz questão de agradecer demais à nossa guia, Laura (meu pai ganhou até um beijinho de despedida dela, hehe!). É inspirador ver alguém trabalhando com o que realmente ama, né? Ela faz tudo com tanto amor que o resultado é impecável. O profissionalismo dela é de outro mundo: ela carrega uma pasta cheia de mapas e fotos de todos os pontos turísticos em espanhol e inglês para consulta dos turistas, além de livros com gravuras para ilustrar a origem de cada informação histórica que compartilha. Que exemplo de profissional!




De volta à cidade, aproveitamos para dar mais uma voltinha pelo centro e fazer algumas comprinhas. Fica uma dica valiosa para quem visita Ushuaia: roupas e tênis por aqui costumam ser muito baratos devido às isenções fiscais da província. No entanto, o mesmo não se aplica aos eletrônicos, que não compensam o investimento. Vale a pena focar nos vestuários e artigos de frio!





Para o jantar, decidimos comer no restaurante e cafeteria do próprio hotel onde estávamos hospedados. O cardápio estava bem variado: pedimos frango, espaguete e um maravilhoso ravioli de centolla — a famosa iguaria de caranguejo-rei da Patagônia. Acompanhado de refrigerantes e cervejas geladas, o total da conta ficou em ARS 273,00. Foi uma refeição deliciosa e super prática para encerrar o dia!




De volta à pousada, chegou o momento de organizar tudo. Pegamos nossas malas e pegamos um táxi rumo ao aeroporto por ARS 27,00 para fazer o check-in com destino a Buenos Aires. Um detalhe importante: nossas bagagens foram despachadas direto para São Paulo. Quem é viajante sabe o frio na barriga e o medo de que elas se extraviassem pelo caminho... Mas, felizmente, deu tudo certo! Embora o voo tenha sofrido um pequeno atrasual, pousamos muito bem em Buenos Aires às 2h da manhã do dia 8 de janeiro.




Como o desembarque foi de madrugada, o jeito foi dormir no próprio aeroporto até o amanhecer. Às 7h, nosso voo para Guarulhos finalmente decolou e pousamos em São Paulo exatamente ao meio-dia. Chegamos cansados, mas com a bagagem intacta e o coração cheio de memórias de uma viagem inesquecível pelo fim do mundo!



Ao desembarcar em Guarulhos, fomos direto retirar o carro na BR Express, o estacionamento onde sempre deixo o veículo quando viajo (pagamos R$ 280,00 pelo período de 18 dias, um ótimo custo-benefício). De lá, peguei a estrada e dirigi direto para Iguape, chegando finalmente em casa às 16h. Nada como o conforto do nosso lar depois de uma jornada tão intensa e inesquecível pelo fim do mundo!

A viagem em números

El Calafate, El Chalten, Ushuaia - ARGENTINA e Puerto Natales (Torres del Paine) - CHILE
dezembro 2010 e janeiro 2011

Em linhas gerais, a viagem foi simplesmente fantástica! Pelas minhas contas, andamos nada menos que 134 km a pé, somando todas as trilhas que desbravamos. Juro que pensei que voltaria bem mais magra depois de tanta caminhada, mas a surpresa veio na balança: cheguei a engordar 1 kg! Segundo o meu professor de natação, foi pura perda de gordura e ganho de massa muscular... Mas, para mim, o que vale mesmo é o número que a balança registra, né? Hehehehe!


Para registrar tudo isso, foram mais de 4.000 fotos e diversos vídeos. Já selecionei os melhores registros — que somam 14,7 GB — e vou editá-los aos poucos para apresentar aqui no blog ao longo do ano.
Sobre a parte financeira, esqueci de anotar o valor exato gasto com combustível, mas rodamos 2.400 km em 12 dias (uma média de 200 km por dia). Todos os gastos com refeições e pousadas foram detalhados dia a dia nos relatos anteriores. Para a logística do bolso: levei US$ 1.500,00 mais R$ 600,00 em espécie e retornei com uma sobra de US$ 200,00 e R$ 200,00. No cartão de crédito, o único gasto extra foi de US$ 150,00 com combustível.
Agradeço de coração a todos os amigos e leitores que acompanharam a nossa expedição 'ao vivo'. Se surgir qualquer dúvida sobre o planejamento, podem entrar em contato comigo pelos comentários ou e-mail que farei de tudo para ajudar!
Agora é hora de focar no trabalho pelos próximos 11 meses e começar a preparar as malas para a nossa próxima grande aventura pela América do Sul em janeiro de 2012: o Peru nos espera!

Bjs e Boas Viagens!


Carla Nogueira

Ushuaia - Glaciar Martial - Argentina

 6 janeiro de 2011


Acordamos às 9h, tomamos o café da manhã e fomos direto para a Rua San Martín trocar mais alguns dólares na Taller. Ali, o Real estava valendo ARS 2,10 — a melhor cotação de toda a viagem, mas, infelizmente, meus reais já tinham acabado! Com o dinheiro trocado, seguimos em direção ao Glaciar Martial.
Pegamos um táxi até a base do glaciar por ARS 26,00 (apenas ida). Chegando lá, pagamos ARS 68,00 para subir de aerosilla (o teleférico). Vale o aviso para os leitores: o teleférico não é obrigatório, pois dá para fazer a subida tranquilamente a pé. Lá em cima, existem várias opções de caminhada. Nós escolhemos a trilha do Mirante do Glaciar Martial, que tem um nível fácil, especialmente se comparada a trekkings intensos como a Laguna de los Tres (em El Chaltén) ou o Mirador Las Torres (em Torres del Paine).

Teleférico para Glaciar Martial
Teleférico para Glaciar Martial
Trilha para Glaciar Martial
Trilha para Glaciar Martial
Trilha para Glaciar Martial
 
Trilha para Glaciar Martial

Trilha para o Glaciar Martial

Trilha para Glaciar Martial

Trilha para Glaciar Martial

A vista que se tem da cidade de Ushuaia lá de cima é simplesmente linda! O glaciar em si é pequeno, mas a grande atração no dia foi assistir à diversão dos turistas: havia um monte de brasileiros se jogando no clássico 'esqui-bunda' na neve. O resultado? Todo mundo saindo encharcado e, logo depois, morrendo de frio! É aquele tipo de perrengue divertido que faz parte de qualquer viagem à Patagônia.

Glaciar Martial
Glaciar Martial
Descida do Teleférico do Glaciar Martial
Descida do Teleférico do Glaciar Martial

Finalizado o passeio no glaciar, descemos o morro e pegamos um táxi para retornar à cidade. Uma dica prática para quem vai: vale a pena pedir na cafeteria local para que eles chamem o carro. A corrida de volta custou ARS 25,00, confirmando nossa impressão de que os taxistas em Ushuaia são extremamente simpáticos e cobram preços muito justos.
Já de volta ao centro, fomos visitar o famoso Museu Marítimo do Presídio de Ushuaia. Olha, se arrependimento matasse, eu não estaria aqui escrevendo! Pagamos ARS 60,00 pelo ingresso e, pedindo desculpas sinceras a quem foi e gostou, para o nosso grupo foi o dinheiro mais mal gasto de toda a viagem...

Museu do Presídio, Ushuaia
Museu do Presídio, Ushuaia
Museu do Presídio, Ushuaia

Flor patagônica
Flor patagônica
 
Para espantar o desapontamento do museu, nosso jantar foi no restaurante Los Andinos. Pedimos pratos bem servidos de frango, lomo (o filé mignon deles) e o tradicional cordeiro patagônico, acompanhados de refrigerantes e cervejas. A conta fechou em ARS 295,00 para o grupo. Depois desse jantar delicioso e reconfortante, voltamos para a pousada e fomos direto dormir para descansar.

Ushuaia - Passeio Catamarã Isla del Lobos, Faro e Pinguinera

 5 janeiro de 2011


Acordamos por volta das 7h30, tomamos um ótimo café da manhã na pousada e seguimos para o porto, onde embarcaríamos no passeio para a Isla dos Lobos, Faro e Pinguinera, operado pela Rumbo Sur — uma boa agência, por sinal. Pagamos ARS 235,00 por pessoa pelo passeio.

Já no porto, foi necessário pagar também a taxa de embarque, no valor de ARS 7,00.

Nosso catamarã era o mais bonito entre os que estavam atracados, o que já deixou o início do passeio ainda mais especial. Às 9h em ponto, a embarcação deixou o porto e iniciamos a navegação pelos canais de Ushuaia, rumo às ilhas e pontos de observação da fauna local.


O primeiro ponto do passeio foi a Isla dos Lobos. E, como já era de se esperar, o cheiro era bem forte — daqueles que ficam marcados na memória, mas que fazem parte da experiência. Ainda assim, foi impossível não se encantar com a vida ali.

Os lobos marinhos e as focas são realmente lindos de observar à distância, especialmente em seu habitat natural. O destaque foi um filhote de lobo marinho tentando subir as pedras, em movimentos desajeitados e cheios de esforço, o que deixou a cena ainda mais encantadora.

Mesmo com o odor intenso, foi uma das paradas mais interessantes do passeio.



Seguimos rumo ao Farol do Fim do Mundo, em Faro. Lá, fomos surpreendidos por rochas com uma coloração completamente diferente daquelas que estamos acostumados a ver no litoral brasileiro. Essa diversidade de tons cria o cenário perfeito para fotos simplesmente inesquecíveis.



Mais adiante, chegamos à famosa Pinguinera. Inicialmente, achei que fôssemos desembarcar, mas o passeio de catamarã não inclui a descida na ilha. O barco apenas se aproxima bastante da praia para que possamos observar e fotografar os pinguins. Mais tarde, descobri que existe uma excursão que permite caminhar com eles, mas o valor é bem mais elevado. Ainda assim, a experiência a bordo valeu cada centavo!



Navegamos então até a Estância Harberton, onde alguns passageiros desembarcaram para fazer o trajeto de volta por terra. Nós optamos por permanecer a bordo e retornamos pelo Canal Beagle até o Porto de Ushuaia, desembarcando por volta das 16h. Foi o encerramento perfeito para um dia cheio de paisagens incríveis!




Depois de desembarcar, aproveitamos para passear sem pressa pela orla de Ushuaia, garantindo mais alguns cliques com a luz do fim da tarde. Para fechar o dia com chave de ouro, fomos jantar e saborear a gastronomia local.




Para o jantar, decidimos repetir a dose no La Estancia Parrilla, mas dessa vez optamos pelo sistema de Tenedor Libre (o famoso buffet livre ou rodízio). Comi muito bem e o custo-benefício foi excelente por ARS 85,00 (Pesos Argentinos). Vale super a pena, já que você pode repetir quantas vezes quiser e saborear todos os cortes de carnes disponíveis na tradicional grelha argentina, além de um buffet variado de pratos frios e quentes com frutos do mar.


Depois desse banquete, voltamos para a pousada exaustos, mas muito felizes. Fomos direto dormir para recarregar as energias, já que o dia seguinte prometia ainda mais aventuras por Ushuaia.

Ushuaia - Parque Nacional Terra do Fogo

 4 de janeiro de 2011


A Posada del Michay é uma boa opção de hospedagem em Ushuaia. As camas são confortáveis, as roupas de cama e banho são de boa qualidade e o café da manhã também atende bem.

O principal ponto de atenção fica mesmo pela localização. Ela está a cerca de 7 quadras da Calle San Martín, em uma descida, o que significa que o retorno sempre envolve uma subida puxada — algo que, depois de um dia de passeios, acaba pesando um pouco.

Outro detalhe é o entorno: as casas da vizinhança não são das mais cuidadas e passam uma impressão um pouco simples, lembrando até certas áreas mais periféricas de grandes cidades como São Paulo. Ainda assim, nada que comprometa a segurança ou a experiência de forma geral.

No fim, é uma hospedagem tranquila e funcional, com bom custo-benefício, principalmente para quem está focado em explorar Ushuaia durante o dia e só precisa de um lugar confortável para descansar à noite.




Acordamos por volta das 8h, tomamos um bom café da manhã na pousada e nos preparamos para mais um dia em Ushuaia.

Em seguida, seguimos até a esquina da Calle Maipú com Fadul, onde fica o terminal das vans que realizam diversos passeios pela região. É dali que saem os principais roteiros turísticos da cidade, facilitando bastante a organização dos passeios.

Com tudo pronto, iniciamos mais um dia explorando o extremo sul da Patagônia.




Antes de seguir para o terminal, passamos em um kiosco e compramos alguns sanduíches e guloseimas para levar conosco ao longo do dia.

Foi uma parada rápida, mas importante para garantir algo prático para comer durante os passeios, já que em Ushuaia nem sempre é tão simples encontrar opções durante os trajetos.




No terminal, fechamos o passeio com a Don Alejo e compramos as passagens de ida e volta para o Parque Nacional Tierra del Fuego, por ARS 70,00 por pessoa.

Com tudo organizado, ficou mais fácil seguir o roteiro do dia sem preocupações com transporte, já que as vans fazem todo o trajeto de forma prática e direta até o parque.


Na entrada do Parque Nacional Tierra del Fuego, foi necessário pagar uma taxa adicional de ARS 65,00.

Após a entrada, recebemos um mapa com as principais trilhas e pontos de interesse do parque, o que ajuda bastante na organização dos percursos e na escolha dos caminhos a seguir.

Com tudo em mãos, já pudemos começar a explorar a área com mais clareza do que queríamos visitar ao longo do dia.



Decidimos fazer a Senda Costera e, a partir dela, seguir até a Bahía Lapataia.

Foram cerca de 4h30 de caminhada, em um percurso simplesmente incrível, com paisagens que vão se revelando a cada trecho. A trilha acompanha a costa em vários momentos, oferecendo vistas lindas do encontro entre montanhas, floresta e água.

É um dos passeios mais bonitos de Ushuaia, daqueles que fazem o tempo passar sem a gente perceber, apenas absorvendo cada cenário ao redor.




Às 17h, a van nos buscou e retornamos para a cidade depois de um dia intenso de caminhada no Parque Nacional Tierra del Fuego.

À noite, jantamos no La Estancia. Pedimos lomo grillé, lomo a la estancia e pollo a la estancia. Uma das surpresas foi justamente os pratos “a la estancia”, que vêm acompanhados de verduras cozidas em um molho muito saboroso, que faz toda a diferença na refeição.

O jantar completo, incluindo as bebidas, saiu por ARS 298,00. Um valor mais alto, mas que compensou pela qualidade da comida e pela experiência do lugar.

Depois disso, voltamos para a pousada e encerramos mais um dia em Ushuaia.



Voltamos para a pousada, tomamos um bom banho e fomos dormir.

Depois de mais um dia intenso de caminhada e paisagens incríveis em Ushuaia, o descanso foi mais do que merecido.