segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Torcello, Burano e Murano em Veneza, Itália

  19 de março de 2016

Depois de um ótimo café da manhã no Hotel San Marcuola, em Veneza, fizemos o check-out, deixamos nossas mochilas guardadas no próprio hotel e saímos para explorar as famosas ilhas de Torcello, Burano e Murano, um dos passeios mais imperdíveis da região. Fizemos tudo por conta própria, sem contratar agência ou guia, porque se locomover em Veneza é realmente simples e muito bem sinalizado.

Compramos novamente os bilhetes de 24 horas para os Vaporettos, por 20 euros por pessoa, já que os do dia anterior tinham expirado. Esse ticket vale muito a pena para quem quer conhecer várias ilhas no mesmo dia. Ele permite viagens ilimitadas em todas as linhas de barco, o que facilita muito o roteiro e deixa o passeio mais econômico e flexível.

Explorar as ilhas de Veneza usando Vaporetto é uma das melhores formas de aproveitar a cidade, fazer tudo no seu ritmo e ainda descobrir paisagens incríveis que muitos turistas acabam deixando para trás.

Torcello

Começamos o passeio por Torcello, a ilha mais distante do roteiro, seguindo o caminho inverso da maior parte dos turistas, que costuma ir primeiro a Murano. A barca que leva até lá é maior que os vaporetos que circulam pelos canais de Veneza e a viagem é bem tranquila, com cerca de uma hora de duração.

A ilha é charmosa, silenciosa e tem uma arquitetura única. Torcello é uma das ilhas habitadas mais antigas do arquipélago de Veneza, com origem no século V. O grande destaque é a imponente Catedral de Santa Maria Assunta, fundada em 639, um incrível exemplo de arquitetura bizantina que impressiona logo na chegada. Há também o Museu do Estuário, que complementa muito bem a visita para quem gosta de história.

Hoje, menos de 20 moradores vivem em Torcello e o local mantém um clima rústico e tranquilo. O comércio é bem limitado, com apenas alguns restaurantes, o que reforça ainda mais a sensação de estar em um refúgio histórico preservado.










Burano

Voltamos ao cais e embarcamos na barca com destino a Burano, nossa segunda parada do dia. Ao desembarcar já percebemos a diferença marcante em relação a Torcello. Burano é maior, mais movimentada e tem uma energia vibrante que vem tanto das casas coloridas, uma das marcas registradas da ilha, quanto do comércio sempre ativo.

Aproveitamos a chegada para almoçar deliciosas porções de peixes e frutos do mar em um restaurante próximo ao cais. Foi uma escolha simples e muito acertada para seguir o passeio com tranquilidade.

Caminhar por Burano é uma experiência leve e divertida. As ruas estreitas, os pequenos canais e as fachadas multicoloridas criam um cenário que parece feito para fotografia. A cada esquina surge uma nova composição que dá vontade de registrar. A ilha costuma ficar bem cheia e é difícil conseguir uma foto sem turistas passando, embora isso não diminua o encanto do lugar. A atmosfera de Burano é realmente única e transmite aquela sensação de vila de pescadores que preserva história e beleza ao mesmo tempo.












Murano

Encerramos o dia em Murano, famosa mundialmente pela tradição do vidro de Murano, uma arte centenária que segue viva nas lojas e ateliês espalhados pela ilha. A produção de vidro foi transferida de Veneza para Murano há muitos séculos, quando o governo decidiu afastar as fábricas do centro residencial para reduzir o risco de incêndios. Desde então, a ilha se tornou referência na criação de peças únicas e altamente valorizadas.

Murano oferece uma grande variedade de produtos em vidro, que vão de joias como colares, brincos e pulseiras até relógios, vasos e objetos de decoração. É a maior das três ilhas que visitamos e tem um clima mais urbano, com ruas amplas, lojas tradicionais e oficinas abertas ao público.

Um dos pontos mais interessantes da ilha é a Basílica de Santa Maria e São Donato, conhecida por sua arquitetura em tijolos aparentes e pelo belo mosaico do piso interno. Em frente à basílica, um impressionante monumento de vidro azul deixou a praça ainda mais charmosa e rende fotos lindas. A combinação entre história, arte e cores cria uma visita muito especial.











Voltamos a Veneza ao anoitecer, pegamos nossas mochilas no hotel e seguimos para o ponto de onde partem os ônibus para Roma. A área fica nos fundos da zona portuária, perto dos estacionamentos usados pelos moradores. O ambiente é meio sinistro à noite, mas faz parte da logística de quem viaja por conta própria.

Como os assentos do ônibus não são marcados, a entrada foi bem tumultuada. A sensação era de metrô cheio em horário de pico em São Paulo. Mesmo assim conseguimos entrar com calma e garantir um bom lugar. A viagem foi durante a noite inteira e, na manhã seguinte, já estávamos chegando a Roma.

Ficamos mais dois dias na cidade, hospedados na casa de amigos que trabalham na Maitaca Ecoturismo e na Roma 4 Estações. Aproveitamos esse período para fazer várias compras e a melhor parada foi na Decathlon de Roma, onde encontrei produtos muito mais baratos que no Brasil. Para ficar ainda melhor, recebi o reembolso do imposto no sistema Tax Free no aeroporto. Eu nem sabia dessa possibilidade e foi uma surpresa excelente.

Impressões de Veneza

Como o Elio costuma dizer, é uma das capitais do mundo. Realmente, encontramos turistas de todas as partes e a cidade se mantém muito limpa e tranquila, mesmo com pouquíssimo policiamento nas ruas. A comida é cara, assim como no restante da Itália, porém o atendimento costuma ser simpático e o povo é muito agradável.

Mesmo no final do inverno, em alguns momentos sentimos um pouco de cheiro de esgoto ao caminhar pelas calçadas e canais. Imagino que no verão isso possa ser mais intenso, já que o calor costuma potencializar odores. Ainda assim, esse detalhe não tirou o encanto da visita.

No primeiro post sobre Veneza eu contei que visitar a cidade era um sonho antigo. Muitas vezes criamos expectativas tão altas que acabamos nos decepcionando. Veneza não foi assim. A cidade superou tudo que imaginei. Foi romântica, alegre, nostálgica e cheia de momentos que guardarei com carinho.


quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Pelos canais e calçadas de Veneza, Itália

  18 de março de 2016

Pelos Canais de Veneza

O café da manhã no Hotel San Marcuola foi, sem dúvida, o melhor de toda a nossa jornada pela Europa. Repostos de energia e com o astral lá em cima, seguimos — nós e o simpático casal da Maitaca Ecoturismo e Roma 4 Estações — para um tour inesquecível pelos canais e ruelas da belíssima Veneza.

Caminhamos sem pressa, deixando que cada passo nos conduzisse por becos charmosos e pontes centenárias, enquanto o sol de fim de inverno iluminava a cidade com uma luz dourada e suave. A cada esquina, uma nova vista, um novo encanto — Veneza parecia uma pintura viva refletida nas águas calmas de seus canais.






Praça São Marcos

Enorme, imponente e sempre cheia de vida — assim é a Praça São Marcos, o coração vibrante de Veneza. Gente de todas as partes do mundo se mistura ali, entre flashes de câmeras, risadas e, claro, muitos pombos! É impossível não ouvir um “olha o pombo!” seguido de uma corridinha estratégica para escapar das inevitáveis caquinhas que eles deixam pelo caminho.

As filas para entrar na Basílica de São Marcos eram longas, mas decidimos encarar — e valeu cada minuto. A visita foi rápida, porém intensa. Lá dentro, cada detalhe impressiona: mosaicos dourados, arabescos delicados, esculturas e pinturas que fazem a gente se sentir pequeno diante de tanta arte e história.

Curiosamente, só depois — enquanto eu organizava as fotos para este post — percebi quantos detalhes haviam passado despercebidos no momento: novas cores, novos desenhos, novas formas escondidas entre sombras e brilhos.

Apesar de meu amor pela natureza, há algo profundamente humano e emocionante na arte feita pelas mãos do homem. E Veneza é um convite constante para admirar essa beleza.












Passeio de Vaporeto e Sabores de Veneza

Compramos o bilhete do vaporeto — o famoso “ônibus flutuante” de Veneza — com validade de 24 horas, por 20 euros por pessoa. Uma excelente opção para explorar a cidade com liberdade, já que o tíquete permite embarcar e desembarcar quantas vezes quiser. Adquirimos os bilhetes em um guichê autorizado na orla, com toda a praticidade.

Começamos nosso passeio caminhando pela Riva degli Schiavoni, a bela orla repleta de barcos, música e movimento, até chegarmos ao Monumento Nacional a Vittorio Emanuele II. Dali, seguimos rumo à Ponte Rialto, um dos cartões-postais mais icônicos de Veneza. Atravessamos o Canal Grande e fomos explorar o outro lado da cidade — os charmosos bairros de San Polo e Dorsoduro, cada um com sua personalidade e charme únicos.

Na hora do almoço, tentamos encontrar algo no Rialto Mercato, mas o local oferecia apenas peixes frescos. Então, optamos por um lanche rápido — e que surpresa deliciosa! Cada sanduíche era praticamente uma refeição completa, com generosas camadas de embutidos, queijos e aquele pão italiano inigualável, crocante por fora e macio por dentro. Simples, saboroso e perfeito para continuar o passeio sem pressa.












Pôr do Sol em Dorsoduro

Já perto do fim da tarde, seguimos até a Basílica de Santa Maria della Salute, na ponta do bairro Dorsoduro. O caminho até lá é um espetáculo à parte — as luzes do entardecer refletindo nos canais, o som suave da água contra as gôndolas e aquele clima mágico que só Veneza tem.

Chegamos bem a tempo de assistir a um pôr do sol deslumbrante, com o céu se tingindo de tons dourados, rosados e alaranjados sobre a lagoa. A vista dali é simplesmente inesquecível.

Quando a noite caiu, o frio chegou de mansinho, trazendo consigo uma lua brilhante que se espelhava nas águas tranquilas. Foi o fim perfeito para um dia cheio de beleza, descobertas e encantos venezianos.












Jantar e Despedida do Dia

Encerramos o dia com um jantar no La Zucca, um restaurante familiar cheio de charme e com um tempero simplesmente delicioso. Os pratos eram preparados com cuidado, cheios de sabor — mas as porções pequenas nos pegaram de surpresa, já que ainda estávamos acostumados com as refeições generosas da Eslovênia.

Depois do jantar, voltamos ao hotel, cansados, mas felizes. Foi um dia intenso e encantador em Veneza, repleto de paisagens deslumbrantes, arte, sabores e momentos que ficarão para sempre na memória.