19 de março de 2016
Depois de um ótimo café da manhã no Hotel San Marcuola, em Veneza, fizemos o check-out, deixamos nossas mochilas guardadas no próprio hotel e saímos para explorar as famosas ilhas de Torcello, Burano e Murano, um dos passeios mais imperdíveis da região. Fizemos tudo por conta própria, sem contratar agência ou guia, porque se locomover em Veneza é realmente simples e muito bem sinalizado.
Compramos novamente os bilhetes de 24 horas para os Vaporettos, por 20 euros por pessoa, já que os do dia anterior tinham expirado. Esse ticket vale muito a pena para quem quer conhecer várias ilhas no mesmo dia. Ele permite viagens ilimitadas em todas as linhas de barco, o que facilita muito o roteiro e deixa o passeio mais econômico e flexível.
Explorar as ilhas de Veneza usando Vaporetto é uma das melhores formas de aproveitar a cidade, fazer tudo no seu ritmo e ainda descobrir paisagens incríveis que muitos turistas acabam deixando para trás.
Torcello
Começamos o passeio por Torcello, a ilha mais distante do roteiro, seguindo o caminho inverso da maior parte dos turistas, que costuma ir primeiro a Murano. A barca que leva até lá é maior que os vaporetos que circulam pelos canais de Veneza e a viagem é bem tranquila, com cerca de uma hora de duração.
A ilha é charmosa, silenciosa e tem uma arquitetura única. Torcello é uma das ilhas habitadas mais antigas do arquipélago de Veneza, com origem no século V. O grande destaque é a imponente Catedral de Santa Maria Assunta, fundada em 639, um incrível exemplo de arquitetura bizantina que impressiona logo na chegada. Há também o Museu do Estuário, que complementa muito bem a visita para quem gosta de história.
Hoje, menos de 20 moradores vivem em Torcello e o local mantém um clima rústico e tranquilo. O comércio é bem limitado, com apenas alguns restaurantes, o que reforça ainda mais a sensação de estar em um refúgio histórico preservado.
Burano
Voltamos ao cais e embarcamos na barca com destino a Burano, nossa segunda parada do dia. Ao desembarcar já percebemos a diferença marcante em relação a Torcello. Burano é maior, mais movimentada e tem uma energia vibrante que vem tanto das casas coloridas, uma das marcas registradas da ilha, quanto do comércio sempre ativo.
Aproveitamos a chegada para almoçar deliciosas porções de peixes e frutos do mar em um restaurante próximo ao cais. Foi uma escolha simples e muito acertada para seguir o passeio com tranquilidade.
Caminhar por Burano é uma experiência leve e divertida. As ruas estreitas, os pequenos canais e as fachadas multicoloridas criam um cenário que parece feito para fotografia. A cada esquina surge uma nova composição que dá vontade de registrar. A ilha costuma ficar bem cheia e é difícil conseguir uma foto sem turistas passando, embora isso não diminua o encanto do lugar. A atmosfera de Burano é realmente única e transmite aquela sensação de vila de pescadores que preserva história e beleza ao mesmo tempo.
Murano
Encerramos o dia em Murano, famosa mundialmente pela tradição do vidro de Murano, uma arte centenária que segue viva nas lojas e ateliês espalhados pela ilha. A produção de vidro foi transferida de Veneza para Murano há muitos séculos, quando o governo decidiu afastar as fábricas do centro residencial para reduzir o risco de incêndios. Desde então, a ilha se tornou referência na criação de peças únicas e altamente valorizadas.
Murano oferece uma grande variedade de produtos em vidro, que vão de joias como colares, brincos e pulseiras até relógios, vasos e objetos de decoração. É a maior das três ilhas que visitamos e tem um clima mais urbano, com ruas amplas, lojas tradicionais e oficinas abertas ao público.
Um dos pontos mais interessantes da ilha é a Basílica de Santa Maria e São Donato, conhecida por sua arquitetura em tijolos aparentes e pelo belo mosaico do piso interno. Em frente à basílica, um impressionante monumento de vidro azul deixou a praça ainda mais charmosa e rende fotos lindas. A combinação entre história, arte e cores cria uma visita muito especial.
Voltamos a Veneza ao anoitecer, pegamos nossas mochilas no hotel e seguimos para o ponto de onde partem os ônibus para Roma. A área fica nos fundos da zona portuária, perto dos estacionamentos usados pelos moradores. O ambiente é meio sinistro à noite, mas faz parte da logística de quem viaja por conta própria.
Como os assentos do ônibus não são marcados, a entrada foi bem tumultuada. A sensação era de metrô cheio em horário de pico em São Paulo. Mesmo assim conseguimos entrar com calma e garantir um bom lugar. A viagem foi durante a noite inteira e, na manhã seguinte, já estávamos chegando a Roma.
Ficamos mais dois dias na cidade, hospedados na casa de amigos que trabalham na Maitaca Ecoturismo e na Roma 4 Estações. Aproveitamos esse período para fazer várias compras e a melhor parada foi na Decathlon de Roma, onde encontrei produtos muito mais baratos que no Brasil. Para ficar ainda melhor, recebi o reembolso do imposto no sistema Tax Free no aeroporto. Eu nem sabia dessa possibilidade e foi uma surpresa excelente.
Impressões de Veneza
Como o Elio costuma dizer, é uma das capitais do mundo. Realmente, encontramos turistas de todas as partes e a cidade se mantém muito limpa e tranquila, mesmo com pouquíssimo policiamento nas ruas. A comida é cara, assim como no restante da Itália, porém o atendimento costuma ser simpático e o povo é muito agradável.
Mesmo no final do inverno, em alguns momentos sentimos um pouco de cheiro de esgoto ao caminhar pelas calçadas e canais. Imagino que no verão isso possa ser mais intenso, já que o calor costuma potencializar odores. Ainda assim, esse detalhe não tirou o encanto da visita.
No primeiro post sobre Veneza eu contei que visitar a cidade era um sonho antigo. Muitas vezes criamos expectativas tão altas que acabamos nos decepcionando. Veneza não foi assim. A cidade superou tudo que imaginei. Foi romântica, alegre, nostálgica e cheia de momentos que guardarei com carinho.
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