30 de abril de 2015
Depois de uma ótima noite nas Cabañas Puente Austral e de um café da manhã reforçado, pegamos o carro e seguimos em direção a Colônia Suiza, antes de ir ao Porto Pañuelo para pegar o barco rumo à Isla Victoria. Na primeira parada, deixamos nossas mochilas no carro, já que seria uma parada rápida apenas para tirar algumas fotos.
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| Bariloche |
Quando voltamos ao carro, percebi que minha mochila e a do meu pai, que estavam no chão do banco de trás, haviam sido levadas. Entrei em pânico, pois dentro da minha mochila estavam todos os meus documentos pessoais. Não havia mais ninguém no local, e minutos antes de voltarmos, ouvi um carro parar no estacionamento, mas não nos cruzamos com ninguém.
Como proceder quando seus documentos forem furtados na Argentina
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Boletim de Ocorrência (BO): Vá ao posto policial mais próximo para registrar o furto. Se você entrou no país com o RG, terá um documento recebido na aduana argentina que deve ser devolvido ao sair do país. Caso ele também tenha sido furtado, informe isso no BO para pedir a segunda via sem custo. Caso contrário, será cobrada uma taxa de PAR 200,00.
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Autorização de Retorno: Com o BO, dirija-se ao Consulado Brasileiro para retirar a 'Autorização de Retorno ao Brasil' — documento gratuito. Na Argentina, o consulado fica apenas em Buenos Aires (Rua Carlos Pellegrini, 1363).
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Permissão de saída: No dia do embarque, apresente-se na Polícia Federal Argentina no Aeroparque de Buenos Aires para solicitar a permissão de saída. Apresente o BO para evitar pagamento da taxa.
Nossa primeira providência foi ir ao posto policial em Colônia Suiza, onde o policial nos encaminhou à delegacia. No começo, pensamos que alguém tivesse esquecido a porta aberta, pois o carro não apresentava sinais de arrombamento. Porém, ao abrir o porta-malas, percebemos que a mochila do Elio também havia desaparecido. Descobrimos que os ladrões tinham uma chave que abria o carro — o Corsa é um dos modelos mais vulneráveis, podendo ser aberto com a chave de outro Corsa. Obrigada, Hertz, por não avisar nada!
Depois de resolver tudo com a polícia, fomos a uma lan house para trocar todas as senhas das redes sociais (pois levaram meu celular) e cancelar o cartão do banco. Nem preciso dizer que perdemos o passeio à Isla Victoria...
Fomos até a agência Hertz em Bariloche e a atendente confirmou que furtos assim são comuns na região. Como minha carteira de motorista e os documentos do carro também foram levados, tivemos que trocar de carro e refazer o contrato de locação, já que eu não poderia mais dirigir. Meu pai assumiu o novo contrato, sem custos adicionais, mas tivemos que pagar uma multa (franquia) de PAR 2.000,00 pelo furto dos documentos do carro.
Voltamos para a pousada desanimados e tristes, e passamos o resto do dia tentando assimilar o ocorrido. Perdemos completamente a vontade de ficar em Bariloche e, no dia seguinte, decidimos voltar para Buenos Aires.
01 de maio de 2015
Acordamos cedo, nos despedimos das Cabañas Puente Austral e dirigimos 423 km até Neuquén. No caminho, ao parar para tirar fotos, o carro começou a falhar ao ligar, o que nos preocupou. Como havia uma Hertz no aeroporto de Neuquén, aproveitamos para trocar o carro.
Durante o trajeto, pudemos avistar as cinzas do vulcão Cabulco, que já estava em sua terceira erupção, prejudicando a visibilidade na estrada.
Chegando em Neuquén, realizamos a troca do carro na Hertz do aeroporto, sem custos adicionais. Ficamos hospedados na Hosteria Amparo, um lugar muito bom, por cerca de R$ 100,00 por pessoa.
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| Estrada de Bariloche a Neuquén |
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| Cinzas do vulcão Cabulco no ar |
02 de maio de 2015
Depois de um ótimo café da manhã na Hosteria Amparo, em Neuquén, seguimos em direção a Bahía Blanca e escolhemos passar a noite em uma cidade praiana chamada Monte Hermoso — a cerca de 612 km de Neuquén. A cidade tem um comércio bastante movimentado e conta com um dos melhores churros de doce de leite que já provei. Apesar disso, o tempo estava bem frio e ventava bastante. O mar estava agitado e havia uma névoa no ar. Ficamos no América Hotel, uma hospedagem simples e antiga, mas com ótima localização.
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| Monte Hermoso, Bahia Blanca |
03 de maio de 2015
Após o café da manhã no América Hotel, em Monte Hermoso, seguimos viagem rumo a Buenos Aires — um percurso de aproximadamente 670 km. Chegando à capital, fomos direto para o Hotel de las Américas, que havíamos reservado pelo Booking. Ótima escolha: o hotel é confortável, muito bem localizado e fica próximo ao Consulado Brasileiro.
Em seguida, fomos até a agência da Hertz no centro para devolver o carro alugado. Já no hotel, aproveitamos para reservar um city tour por Buenos Aires para o dia seguinte, por PAR 75,00 por pessoa.
No dia seguinte, iniciamos nosso retorno ao Brasil. Na aduana, apresentei os documentos emitidos pelo Consulado Brasileiro, junto com o Boletim de Ocorrência. Com isso, consegui emitir gratuitamente o papel de imigração, necessário para sair do país. Tudo resolvido, embarcamos de volta para casa — aliviados por ter dado tudo certo no fim, apesar dos imprevistos.
Impressões da Viagem
Ao escrever este post, resolvi fazer uma breve pesquisa na internet para entender se o que passamos em Bariloche foi um caso isolado. Para minha surpresa (e tristeza), descobri que o golpe que sofremos é mais comum do que gostaríamos. Fica aqui o alerta: tenha cuidado para não cair nesse perrengue.
Pelas buscas, encontrei também outro golpe recorrente na cidade: furtos dentro de quartos de hotel ou pousada — inclusive objetos deixados dentro dos cofres. Triste pensar que, para alguns moradores, isso parece ter se tornado uma forma fácil (e impune) de ganhar dinheiro: os turistas são furtados, vão embora, e tudo continua como se nada tivesse acontecido.
Fiquei bastante frustrada com a situação e, por um tempo, compartilhei minha revolta em várias plataformas de turismo e redes sociais, tentando alertar outros viajantes.
Se você chegou até este post antes de viajar, espero de verdade que ele tenha sido útil e sirva de alerta. Agora, se você está lendo isso porque também foi vítima de furto em Bariloche, sinto muito. Queria ter conseguido chegar até você antes.














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