25 de janeiro de 2010
Acordamos sem pressa, tomamos café da manhã e saímos para as últimas compras em Bariloche. Sempre bate aquela sensação de “preciso aproveitar cada minutinho”, misturada com a saudade de casa que já começa a apertar.
Almoçamos no La Vizcacha: salada, frango, milanesa, truta, refrigerante e água por PAR$ 50,00 por pessoa. Uma despedida à altura da gastronomia patagônica — farta e saborosa.
Depois, claro, não resistimos e fomos tomar sorvete na Rapa Nui por PAR$ 10 por pessoa. Simplesmente maravilhoso! Cremoso, intenso, daqueles que fazem você querer repetir.
À tarde caminhamos mais uma vez pelo centrinho — lojas de chocolates, vitrines charmosas, turistas indo e vindo — e então fomos devolver o carro. A conta final trouxe uma surpresa: rodamos 840 km além dos 2.000 km contratados e pagamos PAR$ 840 pelos quilômetros extras. No fim das contas, valeu cada quilômetro percorrido.
À noite jantamos novamente no Restaurante Friends: tostados napolitanos e refrigerantes por PAR$ 26 por pessoa. Para fechar com açúcar, experimentamos também o sorvete da El Turista, 250 g por PAR$ 12. Muito bom… mas o da Rapa Nui ainda leva o troféu!
Voltamos ao hotel para arrumar as malas. Entre roupas espalhadas, lembranças compradas e fotos na câmera, veio aquela mistura de sentimentos: gratidão por tudo que vivemos, orgulho pela aventura realizada e uma saudade imensa de casa.
No dia seguinte, a expedição se despede da Patagônia e segue rumo ao Brasil.
E como eu estava com saudades do meu lar… 🧡
Impressões da viagem
A região da Patagônia que engloba San Carlos de Bariloche, Pucón e a lendária Carretera Austral é simplesmente deslumbrante. São paisagens que parecem ter sido pintadas à mão: lagos de cores impossíveis, vulcões imponentes, montanhas nevadas e estradas que recortam cenários quase intocados.
É claro que as rotas próximas a Bariloche e Pucón são muito mais estruturadas para o turismo. Há oferta variada de hospedagem, restaurantes, passeios organizados e fácil acesso às atrações. Tudo funciona com certa previsibilidade — o que é ótimo para quem busca conforto e praticidade.
Já a Carretera Austral… ah, essa ainda está engatinhando quando falamos em infraestrutura, opções de hospedagem e divulgação turística. Em alguns trechos, ficamos praticamente isolados: longas distâncias sem postos de combustível, vilarejos sem restaurantes abertos, quase um dia inteiro apenas com bolachinhas no estômago. Estradas de rípio desafiadoras, chuva constante, lama até as orelhas nas trilhas… pequenos “castigos” que fazem parte da experiência.
Mas aqui vai a verdade: dos cinco lugares mais incríveis desses 21 dias de viagem, a maioria está na Carretera Austral.
A grandiosidade dos vulcões, os ventisqueros despencando montanha abaixo, lagos de um azul surreal e aquela sensação de estar no fim do mundo compensam qualquer perrengue. Ali, a natureza não é apenas bonita — ela é intensa, bruta e arrebatadora.
Sinceramente, acho difícil que a Carretera se transforme rapidamente em um destino superestruturado. É uma região ainda pouco assistida pelo governo chileno, e percebe-se que a população enfrenta limitações no dia a dia. Ao mesmo tempo, talvez seja justamente isso que mantém o lugar tão autêntico e selvagem.
Se você busca conforto absoluto, talvez sofra um pouco.
Mas se você é como a gente — daqueles que encaram estrada ruim, clima instável e improvisos como parte da aventura — vai amar cada segundo.
Porque, no fim das contas, os perrengues viram histórias.
E as histórias… essas ficam para sempre.









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