24 de janeiro de 2010
Ventisquero Negro e Cerro Tronador
Acordamos cedo, tomamos café da manhã no hotel e partimos rumo ao Parque Nacional Nahuel Huapi, no setor do Ventisquero Negro e do imponente Cerro Tronador.
O acesso é uma atração à parte — e também um desafio. A estrada que leva ao Tronador é estreita e funciona em sistema de mão única em horários determinados, pois em muitos trechos passa apenas um carro por vez. A subida é liberada a partir das 10h30, o que exige planejamento. São cerca de 34 km desde o centro de San Carlos de Bariloche, percorrendo uma paisagem cada vez mais selvagem e impressionante.
A entrada do parque custou PAR$ 30 por pessoa. No local há boa estrutura para visitantes: restaurante, lanchonete e banheiros — o que facilita bastante para quem pretende passar mais tempo explorando a região.
Só a expectativa de ver o Ventisquero Negro e o gigante Tronador já fazia o passeio valer a pena.
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| Mirador Lago Mascardi |
A estrada até o Ventisquero Negro é de rípio, mas em boas condições. Dirigindo com calma, dá para aproveitar cada curva e cada abertura na paisagem — e a chegada recompensa qualquer esforço.
O Ventisquero Negro é simplesmente impressionante. Diferente dos glaciares de tons azulados, ele tem essa coloração escura por causa dos sedimentos e detritos que descem do alto do Cerro Tronador e se misturam ao gelo ao longo dos anos. Ficamos um bom tempo ali, observando, fotografando e tentando entender a grandiosidade daquilo tudo.
Conversamos com um fotógrafo local, muito gentil por sinal, que nos explicou a formação do ventisquero e comentou sobre pesquisas que indicam que ele pode desaparecer nas próximas décadas, caso o ritmo de degelo continue. Ouvir isso deu uma sensação estranha… estar diante de algo tão grandioso e, ao mesmo tempo, tão frágil.
E então veio um dos momentos mais marcantes da viagem: da área do ventisquero é possível ouvir o Tronador “trovejar”. São estalos e estrondos que ecoam pelas montanhas — o som do gelo se rompendo, das pedras se movendo, da montanha viva. É impossível não se arrepiar. Foi, sem dúvida, uma das coisas mais lindas e impactantes que já presenciei.
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| Ventisquero Negro |
🏔️ Cerro Tronador】
Seguimos pela estrada até o pé do Cerro, em meio a uma paisagem cada vez mais imponente. A cada curva, o Tronador surgia mais próximo, mais grandioso, mostrando por que recebeu esse nome — seus estalos e ruídos ecoam como trovões pelas montanhas.
Lá fizemos a trilha da Garganta del Diablo, um impressionante ponto de degelo onde a água despenca com força, formando várias cachoeiras em meio às rochas esculpidas pelo gelo. O som é intenso, constante, quase hipnotizante.
Durante a caminhada, a sensação é de estar muito perto da montanha, quase tocando o gelo que ainda resiste no topo. Você consegue avistar um ventisquero lá em cima, alimentando as quedas d’água que passam bem diante dos seus olhos. É natureza bruta, viva, pulsando.
A trilha é curta e acessível, mas entrega uma experiência grandiosa — água cristalina, ar gelado, vegetação típica de altitude e aquela imponência que só a Cordilheira dos Andes sabe oferecer. Um daqueles lugares que fazem a gente se sentir pequeno… e imensamente feliz por estar ali.
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| Cerro Tronador |
Almoçamos em Hostería Pampa Linda, em meio às montanhas e ao silêncio impressionante da região. Pedimos milanesa com salada e batatas fritas, acompanhadas de refrigerante e cerveja, por PAR$ 40 por pessoa. Comida simples, bem servida e perfeita para repor as energias depois da manhã intensa entre glaciares e trilhas.
No caminho de volta, ainda tivemos uma grata surpresa: demos carona a um casal de argentinos, Maximiliano e Emília, muito simpáticos. Entre risadas e histórias, eles nos explicaram vários acontecimentos dos últimos dias que não tínhamos compreendido totalmente por causa da diferença da língua. Foi uma conversa leve e divertida, dessas que tornam a viagem ainda mais especial.
Já em Bariloche, retornamos ao hotel para descansar um pouco e, à noite, saímos para jantar no Restaurante Friends. Pedimos espaguete à bolonhesa, salada, sanduíche, refrigerantes e cervejas por PAR$ 35 por pessoa. Mais um jantar farto para fechar o dia com chave de ouro.
Voltamos ao hotel satisfeitos, cansados e com aquela sensação deliciosa de missão cumprida.























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