terça-feira, 19 de maio de 2026

Bariloche - Cerro Campanário, Otto, Circuito Chico, Colônia Suiza - Argentina

5 de janeiro de 2010

Nosso voo da Aerolíneas Argentinas saiu do Aeroporto Internacional de Guarulhos às 12h05, com quase uma hora de atraso. Apesar disso, chegamos a Buenos Aires no horário previsto: 13h15.

Assim que desembarcamos no Aeroporto Internacional de Ezeiza, fomos direto ao Banco de la Nación Argentina para trocar nossos reais por pesos argentinos (AR$). A cotação era muito melhor do que no Brasil — vale a pena trazer reais e fazer a troca já na Argentina.

Mas aprendemos uma dica ainda melhor: trazer dólares costuma ser mais vantajoso, pois a conversão para pesos geralmente oferece uma taxa ainda mais favorável.

Começava ali nossa aventura argentina, já com as primeiras lições práticas de viagem internacional.

Aeroporto de Buenos Aires

Pegamos um táxi da empresa Ezeiza (muito recomendada) para nos levar até o Aeroparque Jorge Newbery, de onde saem os voos domésticos em Buenos Aires. Pagamos AR$ 138,00 pelo trajeto. Existe também a opção de ônibus, por cerca de AR$ 45,00 por pessoa, mas como queríamos aproveitar o percurso para fazer um mini city tour, escolhemos o táxi — e valeu muito a pena.

O taxista foi extremamente gentil: contou histórias da cidade, mostrou mapas para nos ajudar a entender a localização dos bairros, falou sobre os estádios e a paixão argentina pelo futebol. Uma verdadeira aula informal sobre Buenos Aires.

Chegamos ao Aeroparque, fizemos um lanche rápido e embarcamos pontualmente rumo a San Carlos de Bariloche. Ao desembarcar, antes mesmo de sair do avião, já vesti minha jaqueta — apesar do céu azul e limpo, o frio era intenso.

Assim que retiramos as malas, o representante da APU Rent a Car já nos aguardava no saguão com uma placa escrita “Carla Nogueira”. Ali mesmo no aeroporto assinamos o contrato. Havíamos reservado o carro por 7 dias, mas perguntamos sobre a possibilidade de estender para 10 — e deu certo. Pagamos AR$ 1.665,00 pelos 10 dias por um Gol 1.6, com ar-condicionado e direção. O carro já tinha rodado bastante (58.000 km), mas estava em boas condições. Para um Volkswagen, isso é praticamente início de vida!

Saímos do aeroporto em direção à cidade e logo tivemos nosso primeiro grande impacto visual: o magnífico Lago Nahuel Huapi. Azul intenso, imenso, cercado por montanhas — simplesmente deslumbrante.

O fim de tarde estava perfeito e seguimos direto para o Camping Petúnia, que eu havia encontrado pesquisando na internet. Ótima escolha: banheiros limpos, restaurante, praia às margens do lago e uma atmosfera tranquila. Pagamos AR$ 30,00 por pessoa.

Assim começava oficialmente nossa experiência na Patagônia — com frio no rosto e paisagens que já prometiam dias inesquecíveis.

Aeroporto de Bariloche





Bariloche

Mapa do Aeroporto ao Camping Petúnia, Bariloche
Mapa de localização em Bariloche, do Aeroporto ao Camping Petúnia

6 de janeiro de 2010 

Acordamos às 7h30 e seguimos para a praia do Camping Petunia para registrar algumas fotos às margens do Lago Nahuel Huapi. O cenário era simplesmente encantador: um píer de madeira avançando sobre a água cristalina, pequenos barcos ancorados e, ao fundo, as montanhas nevadas compondo uma paisagem de tirar o fôlego. Para completar, muitas flores coloriam o entorno e deixavam o lugar ainda mais especial.

Depois do passeio, voltamos ao restaurante do camping para o café da manhã. Pagamos AR$ 7,00 por pessoa — apenas café com leite, simples, mas suficiente para começar bem o dia.

Às 9h30 partimos animados para fazer o famoso Circuito Chico, prontos para descobrir mais paisagens incríveis da região.

Bariliche, Argentina
Camping Petúnia









Cerro Campanário

Primeira parada: Cerro Campanario. Considerado pelo National Geographic como uma das sete vistas mais bonitas do mundo — e com razão. A paisagem faz jus à fama.

Para chegar ao topo, pegamos um teleférico estilo cadeirinha, para duas pessoas. O valor era de AR$ 30,00 por pessoa. A subida já é um espetáculo à parte, mas nada se compara ao que nos espera lá em cima.

Do alto, a vista é simplesmente arrebatadora: uma cadeia de montanhas nevadas, lagos de diferentes tons de azul e, claro, o majestoso Nahuel Huapi dominando o horizonte. Sem exagero, é um cenário que emociona. Ficamos alguns minutos em silêncio, apenas contemplando aquela imensidão.

Ali mesmo prometemos voltar um dia para trazer meu pai, assim que ele chegar. Um lugar desses merece ser compartilhado.

No topo há uma cafeteria com vista panorâmica para as montanhas. Aproveitamos o friozinho para tomar um chá bem quentinho, apreciando cada segundo daquele momento inesquecível.

Bariloche, Argentina
Cerro Campanário
















Capela Llao Llao

Saindo do Cerro Campanario, seguimos pela charmosa estrada do Circuito Chico, passando por belas cabanas de madeira e paisagens de tirar o fôlego, até chegarmos à região do famoso Hotel Llao Llao.

Nossa próxima parada foi a delicada Capilla San Eduardo, também conhecida como Capela Llao Llao. Pequena e construída inteiramente em madeira, ela tem um charme especial, quase cinematográfico. O contraste da madeira escura com o céu azul e o verde ao redor torna o cenário ainda mais encantador.

O mais impressionante, porém, é a vista ao redor: dali é possível contemplar o Hotel Llao Llao e a belíssima Península San Pedro, compondo uma paisagem harmoniosa entre arquitetura e natureza.

Um lugar simples, silencioso e acolhedor — perfeito para uma pausa tranquila antes de continuar explorando as maravilhas do Circuito Chico.

Bariloche, Circuito Chico, Argentina
Vista da Capela Llao Llao
Vista do Hotel Llao Llao


Flores pelo caminho



Seguimos pela estrada do Circuito Chico e entramos no Hotel Llao Llao — não na área privada, mas na parte comum, aberta aos visitantes. Estacionamos próximo à área dos funcionários e aproveitamos para contemplar novamente as vistas deslumbrantes ao redor. O hotel, com sua arquitetura imponente em meio às montanhas e lagos, parece saído de um cartão-postal.

Lago Escondido

Continuando o passeio, paramos na entrada do Lago Escondido e da chamada Ponte Romana. A partir dali, fizemos uma caminhada leve por uma trilha de aproximadamente 500 metros, sem nenhuma dificuldade. O percurso é tranquilo, cercado por vegetação típica da região, e em poucos minutos chegamos ao lago.

O Lago Escondido é pequeno e realmente faz jus ao nome — surge quase como uma surpresa no meio da mata, silencioso e reservado.

Seguimos pela trilha em busca da Ponte Romana. Apesar do nome sugestivo, trata-se de uma construção simples, que infelizmente estava mal conservada na época da visita. Ainda assim, o passeio vale pela experiência da caminhada e pelo contato direto com a natureza exuberante da Patagônia.

Circuito Chico, Bariloche, Argentina
Lago Escondido

Cerro Capilla


Seguindo pelo Circuito Chico, fizemos uma parada em um mirador com vista privilegiada para o Cerro Capilla. Um daqueles lugares perfeitos para fotos — céu aberto, montanhas ao fundo e o contraste das cores típicas da Patagônia compondo um cenário incrível.

Enquanto admirávamos a paisagem, conversamos com um artesão que trabalhava ali próximo. Para nossa surpresa, ele já havia morado no Brasil. Contou que adorou o período em que viveu em São Paulo, fez muitos amigos e guarda boas lembranças.

Mas, segundo ele, existe uma característica marcante dos paulistanos (e também dos paranaenses): “vocês só pensam em trabalho”. Ele falou sorrindo, em tom bem-humorado, mas com aquele fundo de verdade que faz a gente refletir. Entre uma foto e outra, ficamos pensando como é diferente o ritmo de vida por ali — mais contemplativo, mais conectado à natureza, menos apressado.

Mais uma parada simples, mas cheia de boas paisagens e boas histórias para guardar na memória.

Circuito Chico, Bariloche, Argentina
Vista Cerro Capilla







Colônia Suiza

Pegamos uma estrada de terra — em boas condições — e seguimos até a charmosa Colonia Suiza. Uma vila pequena, mas cheia de personalidade, com casinhas em estilo alpino que remetem às suas origens europeias.

Caminhamos pela tradicional feira de artesanato, onde encontramos produtos locais, peças feitas à mão e aquele clima acolhedor de vila do interior. Aproveitamos para experimentar algumas delícias típicas: empanadas, batatas fritas e alfajores — simples e saborosos.

O ponto alto foi ver de perto o preparo do famoso Curanto Patagônico. O churrasco é feito sobre pedras aquecidas a cerca de 360 °C, onde são colocadas carnes, batatas, cenouras, nabos e outros ingredientes, tudo cozido lentamente. Uma técnica rústica, tradicional e cheia de história, que transforma o preparo em um verdadeiro espetáculo gastronômico.

Colônia Suíça é aquele tipo de lugar que mistura cultura, gastronomia e tradição em um ambiente tranquilo — uma parada que vale muito a pena no Circuito Chico.


Curanto Patagônico






Lago Moreno

Seguimos então para o belíssimo Lago Moreno. Uma ponte corta o lago e o divide em duas partes: lado leste e lado oeste — cada um com sua tonalidade e beleza particular.

O local é perfeito para fotos. Da ponte é possível observar a imensidão da água, as montanhas ao redor e o reflexo do céu formando um cenário digno de cartão-postal. O vento frio, típico da região, só reforça a sensação de estarmos em meio à grandiosidade da Patagônia.

Mais uma parada simples, mas inesquecível, em um dia repleto de paisagens impressionantes.

Vista Lago Moreno









Cerro Otto

Última parada do dia: o Cerro Otto, com aproximadamente 1.400 metros de altitude.

A subida pode ser feita por um teleférico fechado (pagamos AR$ 55,00 por pessoa), mas também há a possibilidade de ir de carro ou até mesmo a pé, para quem gosta de trilha. Para quem sobe de carro até o estacionamento próximo ao topo, existe ainda um pequeno teleférico que percorre os últimos metros da subida.

Lá de cima, a vista é realmente linda. Diferente do Cerro Campanário, que revela mais lagos e montanhas, o Cerro Otto oferece uma perspectiva mais ampla da cidade de San Carlos de Bariloche. É interessante observar o desenho urbano cercado pela natureza exuberante da região.

Apesar de a paisagem ser encantadora, na nossa opinião nada superou a vista do Cerro Campanário. Ainda assim, o Cerro Otto encerrou o dia com chave de ouro, proporcionando mais um ângulo inesquecível dessa região surpreendente da Patagônia.

Vista Cerro Otto









Voltamos ao centro de San Carlos de Bariloche no fim da tarde. Passamos no supermercado Carrefour para algumas compras e depois trocamos mais um pouco de dólar na casa de câmbio Sudamérica (cotação do dia: U$ 1,00 = AR$ 3,77).

Seguimos então para o nosso hotel, o Hotel Flamingo, muito bem localizado no início da Calle Mitre, em frente à casa de câmbio e ao lado do Centro Cívico de Bariloche. Pagamos AR$ 200 para duas pessoas. O hotel tem excelente localização, roupas de cama e banho muito boas, TV, aquecimento e banheiro privativo. Apesar disso, percebemos que a estrutura era um pouco antiga e precisava de melhor conservação.

Para o jantar, escolhemos um restaurante italiano chamado Lignni, onde saboreamos nhoque, espaguete, saladas e refrigerantes por AR$ 142,00. Na Argentina não é cobrada automaticamente a taxa de serviço de 10%, por isso é recomendável deixá-la como forma de agradecimento — e nesse caso foi mais do que merecida. O atendimento foi muito bom e a comida, excelente.

Antes de encerrar o dia, ainda aproveitamos para comprar chocolates e blusas de moletom por preços absurdamente baratos. Já ficou a certeza: na próxima viagem, voltaremos para comprar ainda mais.

Agora é hora de descansar, porque amanhã o roteiro continua — e promete muitas outras descobertas.

Mapa Circuito Chico, Cerro Campanário, Colônia Suiza, Cerro Otto, Bariloche
Mapa da aventura de hoje: Circuito Chico em Bariloche




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