terça-feira, 19 de maio de 2026

Coyhaique, Puerto Aysen e Ventisquero Colgante - Chile

 🥾 Ventisquero Colgante – trilha na névoa da Carretera Austral

18 de janeiro de 2010

Em Puyuhuapi, tomamos café da manhã no ótimo Hostal Aonikenk e seguimos viagem pela Carretera Austral rumo ao famoso Ventisquero Colgante.

A entrada do parque custa PCH$ 3.000 por pessoa. O tempo, porém, não ajudava: o céu estava totalmente fechado, com neblina densa, e a dúvida era grande sobre valer a pena ou não encarar a trilha.

Mesmo assim, decidimos arriscar.

A caminhada de aproximadamente 2 horas se mostrou bem mais exigente do que o esperado — nível médio para difícil, com trechos escorregadios, lama constante e subida contínua. Em alguns momentos, parecia que a trilha não terminava.

Mas o mais impressionante foi a experiência em si: a floresta úmida, o silêncio quebrado apenas pelo som da água e a sensação de isolamento total na Patagônia.

E, no meio disso tudo, um destaque especial da viagem: ver meu pai em excelente forma, subindo mais de 3.000 metros de trilha sem reclamar, acompanhando o ritmo com firmeza. Um daqueles detalhes que tornam a memória ainda mais marcante do que a paisagem.

Mesmo com o tempo fechado, a aventura valeu cada passo.

Puyuhuapi


Carretera Austral, Chile
Trilha para o Ventisquero Colgante




🧊 Ventisquero Colgante – o momento em que o céu abriu

Assim que chegamos ao mirador — que, segundo o guardaparque, fica a cerca de 1.000 metros do Ventisquero Colgante — aconteceu algo inesquecível: o céu começou a se abrir.

Em poucos minutos, a neblina densa deu lugar a uma das paisagens mais impressionantes de toda a viagem.

O glaciar suspenso surgiu diante de nós como uma massa branca presa entre montanhas, em um equilíbrio quase inacreditável. Dele despencavam duas grandes cachoeiras, que davam a sensação de que toda aquela estrutura estava viva, em constante movimento — e, de certa forma, realmente está.

A paisagem é impactante não só pela beleza, mas também pela sensação de fragilidade. O gelo parece se desprender lentamente da montanha, e há algo de inquietante em saber que aquele glaciar está em processo contínuo de transformação e recuo, como tudo na natureza.

Ali, diante do mirador, o silêncio foi quase automático. É o tipo de lugar que não precisa de explicação — só de presença.

Carretera Austral, Chile
Ventisquero Colgante




🥾 Ventisquero Colgante – lama, silêncio e sobrevivência

A descida levou cerca de 1h30 até voltarmos à base do Ventisquero Colgante. Já cansados, sujos de lama de cima a baixo — literalmente em todos os lugares possíveis — encontramos novos visitantes começando a trilha. Eles estavam bem equipados, roupas limpas, mochilas organizadas.

O contraste foi inevitável. Ao nos verem, com aparência claramente “sobrevivente de trilha patagônica”, a expressão deles parecia misturar curiosidade e desânimo antecipado. Provavelmente não era a melhor propaganda do percurso naquele momento.

Mais uma vez fica a lição: essa trilha exige preparo. Botas adequadas e roupas impermeáveis não são luxo, são necessidade. O terreno estava realmente complicado.

E, como em vários trechos da Carretera Austral, o desafio não foi só físico — foi também logístico. Não havia absolutamente nada para comer no caminho. Mais uma vez, os salgadinhos salvaram o dia e evitaram um colapso energético maior.

Saímos de lá cansados, sujos, mas com uma das experiências mais marcantes de toda a viagem na memória.

Carretera Austral
A caminho de Puerto Aysen




A caminho de Coyhaique




🌆 Coyhaique – o coração da Carretera Austral

Antes de chegar a Coyhaique, fizemos uma parada em Puerto Aysén, onde recarregamos as energias com empanadas, cachorro-quente e refrigerante por PCH$ 4.000 por pessoa — simples, rápido e suficiente para seguir viagem.

Seguimos então rumo à maior cidade da Carretera Austral, Coyhaique. A cidade surpreende: cercada por montanhas, bem estruturada e com aquele equilíbrio entre urbano e natureza que caracteriza a Patagônia chilena.

Na chegada, encontramos um hostal na mesma rua — o Hostal Gladys — administrado por uma anfitriã extremamente simpática e solícita, com telefone e internet disponíveis, o que já era um luxo depois de tantos trechos isolados.

Saímos para conhecer a cidade e jantar no Restaurante Austral, onde comemos salmão recheado, congrio, purê de batatas, batatas fritas, cerveja e refrigerante por PCH$ 5.000 por pessoa. Uma refeição muito boa, bem servida e com excelente custo-benefício.

Quanto à hospedagem, o quarto triplo com banheiro compartilhado custou PCH$ 13.000 por pessoa com café da manhã. A única ressalva foi o conforto das roupas de cama — que não nos inspiraram muita confiança. Por isso, a escolha foi simples: dormir dentro do saco de dormir, garantindo mais tranquilidade.

Mais uma noite em Coyhaique, entre o conforto relativo da cidade e a rusticidade típica da Carretera Austral.

Coyhaique


Mapa de Puyuhuapi a Coihaique
Mapa de Puyuhuapi a Coihaique

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