terça-feira, 19 de maio de 2026

De San Martin de los Andes (Argentina) a Pucon (Chile) - Paso Tromen

 08 de janeiro de 2010

Acordamos às 9h depois de uma noite de sono excelente no Camping Quila Quina. A manta térmica fez toda a diferença — agora sim estávamos preparados para o frio da Patagônia!

Tomamos café da manhã no restaurante do camping (AR$ 6,00 por pessoa, apenas café com leite — opção nossa), desmontamos a barraca e nos despedimos do lugar. Gostamos muito do camping: estrutura organizada, natureza ao redor e uma tranquilidade difícil de encontrar.

Antes de deixar a região, fomos até o belíssimo Lago Lácar. Caminhamos pela orla, tiramos várias fotos e ficamos alguns minutos apenas contemplando as águas calmas cercadas por montanhas.

O céu azul refletido no lago e o silêncio da manhã criavam uma atmosfera quase mágica. Mais um daqueles momentos em que a paisagem fala mais alto do que qualquer palavra.

A caminho do Lago Lacar
A caminho do Lago Lacar



A caminho do Lago Lacar


A caminho do Lago Lacar
Playa La Puntilla
Playa La Puntilla


Playa La Puntilla

Cerro Chapelco

Voltamos à estrada principal e retornamos cerca de 6 km até a entrada do Cerro Chapelco. Conhecido como estação de esqui no inverno, no verão ele também permanece aberto para visitação — inclusive com os teleféricos funcionando.

Pagamos AR$ 40,00 por pessoa para subir até o cume, e a experiência valeu a pena, apesar do frio intenso. Já na primeira parada do teleférico há um restaurante, onde aproveitamos para tomar mais um café com leite e nos aquecer um pouco.

Seguimos então pelo segundo teleférico, alcançando aproximadamente 1.700 metros de altitude. A vista lá de cima é ampla e impressionante, com montanhas e vales se estendendo até onde os olhos alcançam. No entanto, mesmo naquela altitude, não encontramos neve — algo que ainda esperávamos ver mais de perto.

Como o vento estava muito frio, optamos por não fazer trilhas para tentar localizar áreas com neve. Preferimos apreciar a paisagem, registrar algumas fotos e iniciar a descida.

De volta à base do cerro, seguimos novamente pela estrada em direção a San Martín de los Andes, dando continuidade à nossa jornada pela Patagônia.

Centro de Ski Cerro Chapelco
Centro de Ski Cerro Chapelco
Centro de Ski Cerro Chapelco


Centro de Ski Cerro Chapelco


Centro de Ski Cerro Chapelco

San Martín de los Andes

Ficamos com a sensação de que, enquanto Bariloche é a cidade mais famosa da região, San Martín é a mais charmosa. Tudo parece mais harmonioso e acolhedor.

A cidade é organizada, com construções em estilo alpino bem cuidadas, ruas limpas, muitas flores enfeitando calçadas e jardins. Há excelentes restaurantes, cafés convidativos e um comércio variado, perfeito para passear sem pressa.

O clima é mais tranquilo, menos agitado, o que torna a experiência ainda mais especial. É aquele tipo de lugar que conquista pela simplicidade e pelo cuidado nos detalhes.

Chegando em San Martin de los Andes
Chegando em San Martin de los Andes
San Martin de los Andes
San Martin de los Andes


San Martin de los Andes




San Martin de los Andes


San Martin de los Andes



Passeamos sem pressa pelo centrinho de San Martín de los Andes e, mais uma vez, nos surpreendemos com os preços. Roupas, bolsas e diversos produtos com valores absurdamente baratos — dava vontade de levar tudo! Dá até uma certa “raiva” perceber que a mala tem limite…

Almoçamos no La Costa, escolhendo o prato do dia: uma torta de cerdo simplesmente maravilhosa, acompanhada de salada e refrigerante. Pagamos AR$ 45,00 por pessoa. Até agora, em todos os dias da viagem, temos comido muito bem e pagando valores muito baixos. Se estivéssemos frequentando restaurantes do mesmo nível no Brasil, certamente gastaríamos uma pequena fortuna.

Depois do almoço, aproveitamos para fazer câmbio para Peso Chileno. A cotação em San Martín estava bem melhor do que em Bariloche: enquanto U$ 100 em Bariloche renderam PCH$ 40.000, aqui renderam PCH$ 47.000 (sendo que PCH$ 7.000 equivalem a cerca de 28 reais naquele momento). Diferença significativa!

Antes de seguir viagem, abastecemos o carro em um posto da YPF: 30 litros por AR$ 58,00. Tanque cheio, pé na estrada!

Seguimos então rumo a Junín de los Andes. A estrada é linda, cercada por montanhas de pedras impressionantes que nos acompanharam durante todo o trajeto.

Ao chegar, tivemos a sensação curiosa de que a cidade é minúscula — as placas de “Bienvenidos” e “Voltem sempre” pareciam quase lado a lado. Pequena, simples e tranquila, como muitas cidades do interior da Patagônia.

Junin de los Andes a Pucon pelo Paso Tromen
Junin de los Andes a Pucon pelo Paso Tromen
Junin de los Andes a Pucon pelo Paso Tromen


Junin de los Andes a Pucon pelo Paso Tromen


Junin de los Andes a Pucon pelo Paso Tromen


Vulcão Lanin encoberto

Paso Tromen – Rumo ao Chile

Pegamos a Ruta Provincial 60 para atravessar o Paso Tromen. A estrada é asfaltada até a entrada do Parque Nacional Lanín; depois disso, segue em rípio (cascalho), mas em boas condições.

No meio do caminho, o tempo começou a fechar e uma garoa fina caiu sobre a paisagem. Ao longe, conseguimos avistar o majestoso Vulcão Lanín, com seus mais de 3.700 metros de altitude — porém parcialmente encoberto pelas nuvens.

Confesso que fiquei um pouco frustrada. A escolha de atravessar justamente pelo Paso Tromen foi motivada pela possibilidade de passar ao lado desse vulcão impressionante… e, infelizmente, ele resolveu se esconder naquele momento.

Mesmo assim, a estrada dentro do parque é linda. Montanhas, vegetação típica da Patagônia e aquele cenário selvagem que transmite uma sensação de liberdade e isolamento. Ainda que o Lanín não tenha se mostrado por completo, o trajeto já valeu muito a pena.

Se Bariloche impressiona pela grandiosidade, San Martín de los Andes encanta pelo charme.

Chegamos à Aduana Argentina e, infelizmente, a primeira impressão não foi das melhores. Um dos funcionários que nos atendeu parecia estar de má vontade, falando muito rápido — não conseguíamos compreender direito o que ele dizia. Em seguida, começou a falar em inglês, mas também não entendemos completamente.

Em determinado momento, ele resmungou para o colega ao lado algo como: “Humf… não compreendem espanhol tampouco inglês!”, com uma expressão nada simpática. Confesso que aquilo me deu uma raiva tremenda. Respirei fundo e pensei: “Ele deve estar chateado por estar trabalhando enquanto eu estou passeando…”. Foi a forma que encontrei para me acalmar.

Apesar do episódio, a travessia ocorreu normalmente. A documentação do carro alugado estava toda em ordem e seguimos para a Aduana Chilena.

Quem me conhece sabe o quanto eu amo o Chile — então minha satisfação era visível no rosto assim que cruzamos a fronteira. A entrada no país foi marcada por organização e profissionalismo. Eles são burocráticos, exigentes e corretos… características com as quais me identifico bastante.

O processo envolve três cabines diferentes, e em todas fomos muito bem atendidos. Na última etapa, é necessário retirar as malas do carro para passar pelo raio-X — procedimento rigoroso, mas feito com educação e eficiência.

Tudo conferido, documentação aprovada, seguimos viagem rumo a Pucón, animados para a próxima etapa da nossa aventura.

Entrando no Chile pelo Paso Tromen
Entrando no Chile pelo Paso Tromen

Parque Nacional Villarrica

Parque Nacional Villarrica


Parque Nacional Villarrica


Parque Nacional Villarrica


Parque Nacional Villarrica


Parque Nacional Villarrica


Parque Nacional Villarrica

Rumo a Pucón

A estrada segue em rípio por vários quilômetros já dentro do Parque Nacional Villarrica. O trecho é bonito, mas exige atenção. Logo após sairmos do parque, encontramos equipes trabalhando com maquinário pesado — tudo sendo preparado para asfaltamento. Pelo ritmo das obras, acreditamos que em poucos meses o trajeto estaria totalmente asfaltado.

Antes de chegar a Curarrehue, o asfalto novinho começa, contrastando com o trecho anterior. As paisagens mudam: casas e igrejas de madeira chamam atenção pela simplicidade e beleza. Ao longo do caminho, pequenos sítios com criação de gado, ovelhas e cavalos compõem cenários bucólicos, com campos verdes e uma atmosfera tranquila que transmite paz.

Chegamos a Pucón sob um céu carregado, ameaçando chuva. Diante disso, preferimos ficar em um hostel em vez de montar barraca. Encontramos o Hostal La Bicicleta (Palguín, 361) por PCH$ 10.000 por pessoa, com quarto privativo, banheiro compartilhado e café da manhã incluído.

Ótimas instalações, ambiente acolhedor e banheiros muito limpos — uma excelente escolha para descansar depois de um dia intenso de estrada e fronteira.

Pucon

À noite, jantamos no Rap Hamburguesa. Pagamos PCH$ 5.000 por pessoa (cerca de R$ 20 na época) por um super hambúrguer com batatas fritas e refrigerante. Bem servido, saboroso e com ótimo custo-benefício — do jeito que viajante gosta!

Depois de um dia longo, cruzando fronteiras e enfrentando diferentes tipos de estrada, foi ótimo sentar, comer bem e relaxar.

Agora vamos ficar dois dias em Pucón para explorar a região com mais calma. A cidade tem aquele clima jovem e aventureiro, cheia de opções de passeios, natureza exuberante e, claro, o imponente vulcão ao fundo nos lembrando que ainda temos muitas experiências pela frente.

Mapa de San Martin de los Andes até Pucon
Mapa da nossa aventura de hoje: San Martin de los Andes até Pucon

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