08 de janeiro de 2010
Acordamos às 9h depois de uma noite de sono excelente no Camping Quila Quina. A manta térmica fez toda a diferença — agora sim estávamos preparados para o frio da Patagônia!
Tomamos café da manhã no restaurante do camping (AR$ 6,00 por pessoa, apenas café com leite — opção nossa), desmontamos a barraca e nos despedimos do lugar. Gostamos muito do camping: estrutura organizada, natureza ao redor e uma tranquilidade difícil de encontrar.
Antes de deixar a região, fomos até o belíssimo Lago Lácar. Caminhamos pela orla, tiramos várias fotos e ficamos alguns minutos apenas contemplando as águas calmas cercadas por montanhas.
O céu azul refletido no lago e o silêncio da manhã criavam uma atmosfera quase mágica. Mais um daqueles momentos em que a paisagem fala mais alto do que qualquer palavra.
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| A caminho do Lago Lacar |
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| Playa La Puntilla |
Cerro Chapelco
Voltamos à estrada principal e retornamos cerca de 6 km até a entrada do Cerro Chapelco. Conhecido como estação de esqui no inverno, no verão ele também permanece aberto para visitação — inclusive com os teleféricos funcionando.
Pagamos AR$ 40,00 por pessoa para subir até o cume, e a experiência valeu a pena, apesar do frio intenso. Já na primeira parada do teleférico há um restaurante, onde aproveitamos para tomar mais um café com leite e nos aquecer um pouco.
Seguimos então pelo segundo teleférico, alcançando aproximadamente 1.700 metros de altitude. A vista lá de cima é ampla e impressionante, com montanhas e vales se estendendo até onde os olhos alcançam. No entanto, mesmo naquela altitude, não encontramos neve — algo que ainda esperávamos ver mais de perto.
Como o vento estava muito frio, optamos por não fazer trilhas para tentar localizar áreas com neve. Preferimos apreciar a paisagem, registrar algumas fotos e iniciar a descida.
De volta à base do cerro, seguimos novamente pela estrada em direção a San Martín de los Andes, dando continuidade à nossa jornada pela Patagônia.
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| Centro de Ski Cerro Chapelco |
San Martín de los Andes
Ficamos com a sensação de que, enquanto Bariloche é a cidade mais famosa da região, San Martín é a mais charmosa. Tudo parece mais harmonioso e acolhedor.
A cidade é organizada, com construções em estilo alpino bem cuidadas, ruas limpas, muitas flores enfeitando calçadas e jardins. Há excelentes restaurantes, cafés convidativos e um comércio variado, perfeito para passear sem pressa.
O clima é mais tranquilo, menos agitado, o que torna a experiência ainda mais especial. É aquele tipo de lugar que conquista pela simplicidade e pelo cuidado nos detalhes.
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| Chegando em San Martin de los Andes |
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| San Martin de los Andes |
Passeamos sem pressa pelo centrinho de San Martín de los Andes e, mais uma vez, nos surpreendemos com os preços. Roupas, bolsas e diversos produtos com valores absurdamente baratos — dava vontade de levar tudo! Dá até uma certa “raiva” perceber que a mala tem limite…
Almoçamos no La Costa, escolhendo o prato do dia: uma torta de cerdo simplesmente maravilhosa, acompanhada de salada e refrigerante. Pagamos AR$ 45,00 por pessoa. Até agora, em todos os dias da viagem, temos comido muito bem e pagando valores muito baixos. Se estivéssemos frequentando restaurantes do mesmo nível no Brasil, certamente gastaríamos uma pequena fortuna.
Depois do almoço, aproveitamos para fazer câmbio para Peso Chileno. A cotação em San Martín estava bem melhor do que em Bariloche: enquanto U$ 100 em Bariloche renderam PCH$ 40.000, aqui renderam PCH$ 47.000 (sendo que PCH$ 7.000 equivalem a cerca de 28 reais naquele momento). Diferença significativa!
Antes de seguir viagem, abastecemos o carro em um posto da YPF: 30 litros por AR$ 58,00. Tanque cheio, pé na estrada!
Seguimos então rumo a Junín de los Andes. A estrada é linda, cercada por montanhas de pedras impressionantes que nos acompanharam durante todo o trajeto.
Ao chegar, tivemos a sensação curiosa de que a cidade é minúscula — as placas de “Bienvenidos” e “Voltem sempre” pareciam quase lado a lado. Pequena, simples e tranquila, como muitas cidades do interior da Patagônia.
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| Junin de los Andes a Pucon pelo Paso Tromen |
Paso Tromen – Rumo ao Chile
Pegamos a Ruta Provincial 60 para atravessar o Paso Tromen. A estrada é asfaltada até a entrada do Parque Nacional Lanín; depois disso, segue em rípio (cascalho), mas em boas condições.
No meio do caminho, o tempo começou a fechar e uma garoa fina caiu sobre a paisagem. Ao longe, conseguimos avistar o majestoso Vulcão Lanín, com seus mais de 3.700 metros de altitude — porém parcialmente encoberto pelas nuvens.
Confesso que fiquei um pouco frustrada. A escolha de atravessar justamente pelo Paso Tromen foi motivada pela possibilidade de passar ao lado desse vulcão impressionante… e, infelizmente, ele resolveu se esconder naquele momento.
Mesmo assim, a estrada dentro do parque é linda. Montanhas, vegetação típica da Patagônia e aquele cenário selvagem que transmite uma sensação de liberdade e isolamento. Ainda que o Lanín não tenha se mostrado por completo, o trajeto já valeu muito a pena.
Se Bariloche impressiona pela grandiosidade, San Martín de los Andes encanta pelo charme.
Chegamos à Aduana Argentina e, infelizmente, a primeira impressão não foi das melhores. Um dos funcionários que nos atendeu parecia estar de má vontade, falando muito rápido — não conseguíamos compreender direito o que ele dizia. Em seguida, começou a falar em inglês, mas também não entendemos completamente.
Em determinado momento, ele resmungou para o colega ao lado algo como: “Humf… não compreendem espanhol tampouco inglês!”, com uma expressão nada simpática. Confesso que aquilo me deu uma raiva tremenda. Respirei fundo e pensei: “Ele deve estar chateado por estar trabalhando enquanto eu estou passeando…”. Foi a forma que encontrei para me acalmar.
Apesar do episódio, a travessia ocorreu normalmente. A documentação do carro alugado estava toda em ordem e seguimos para a Aduana Chilena.
Quem me conhece sabe o quanto eu amo o Chile — então minha satisfação era visível no rosto assim que cruzamos a fronteira. A entrada no país foi marcada por organização e profissionalismo. Eles são burocráticos, exigentes e corretos… características com as quais me identifico bastante.
O processo envolve três cabines diferentes, e em todas fomos muito bem atendidos. Na última etapa, é necessário retirar as malas do carro para passar pelo raio-X — procedimento rigoroso, mas feito com educação e eficiência.
Tudo conferido, documentação aprovada, seguimos viagem rumo a Pucón, animados para a próxima etapa da nossa aventura.
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| Entrando no Chile pelo Paso Tromen |


































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