25 dezembro de 2010
Acordamos por volta das 9h, tomamos café da manhã com calma e nos preparamos para mais um dia de passeio pela região.
Depois de toda a intensidade das trilhas dos últimos dias, hoje seria um dia mais tranquilo, de deslocamento de carro. Nossa programação era seguir até o Lago del Desierto e também conhecer o Glaciar Huemul.
Com tudo pronto, nos organizamos para sair e aproveitar mais um dos cenários incríveis da Patagônia, agora em um ritmo mais leve.
A estrada é a mesma que leva até a Hostería El Pilar. São cerca de 35 km que, de carro, vão se transformando em um verdadeiro passeio — especialmente quando se vai devagar, parando várias vezes para fotografar. No nosso ritmo, levamos cerca de 1 hora para completar o trajeto.
E que estrada! O caminho é simplesmente lindo, com vistas de tirar o fôlego do Fitz Roy surgindo imponente ao longo de quase todo o percurso. Hoje, em especial, ele estava completamente descoberto, majestoso e exuberante, revelando toda a sua grandiosidade.
Chegou a dar aquela sensação de “se tivéssemos vindo ontem para a Laguna de Los Tres, tudo teria sido diferente”. Mas, ao mesmo tempo, faz parte da viagem aceitar o tempo e as escolhas do caminho. Ainda assim, a beleza do dia compensou qualquer pensamento de “e se…”.
Hoje, olhando com mais calma para toda a situação caótica de ontem, ficou ainda mais claro o quanto a aventura foi intensa — e um pouco mais “desvairada” do que parecia no momento.
O saldo físico veio como prova disso: uma unha do pé direito comprometida, dois calos no pé esquerdo e uma dor de garganta daquelas bem fortes, resultado direto do frio, do vento e da chuva da trilha.
Agora é hora de cuidar do corpo e recuperar as energias. Estou tomando Cataflan e tentando me recuperar aos poucos, enquanto as lembranças do dia continuam sendo muito maiores do que qualquer desconforto.
Começamos o passeio fazendo a trilha do Glaciar Huemul, que fica em uma propriedade particular e tem entrada paga (ARS 18 por pessoa). O percurso é curto, cerca de 1 hora de caminhada, mas muito agradável.
A trilha é tranquila e vai revelando aos poucos um cenário cada vez mais bonito. E a recompensa chega rápido: a Laguna Huemul, com seu tom de verde-água impressionante, é simplesmente deslumbrante.
Mesmo sendo uma caminhada curta, vale muito a pena — é daquelas paradas que surpreendem pela beleza e pela calma do lugar.
Voltamos e seguimos de carro em direção à Laguna del Desierto. Porém, poucos minutos depois, tivemos uma surpresa: cerca de 400 metros adiante descobrimos que o acesso à laguna não era por estrada até o final, mas sim por uma trilha de aproximadamente 12 km.
Infelizmente, não estávamos preparados para esse percurso. Não havíamos levado lanches nem nos organizado para uma caminhada desse porte, então acabamos tendo que abrir mão da ideia.
Foi uma pena não conseguir seguir até a laguna, mas faz parte da viagem também esses imprevistos — e da importância de sempre checar bem as condições dos trajetos antes de partir.
Retornamos à cidade e almoçamos no El Cervecería, onde tivemos uma experiência muito agradável. Pedimos espaguete, ravioli e provamos algumas cervejas artesanais da casa, tudo por ARS 183,00.
O ambiente do restaurante é bem acolhedor e tem um detalhe especial: livros onde os visitantes podem deixar recados e lembranças. Claro que não poderia faltar nossa contribuição — deixei um recadinho carinhoso em agradecimento à cidade, que nos recebeu de forma tão hospitaleira durante esses dias.
Foi uma pausa deliciosa e cheia de significado antes de seguirmos com o restante do dia.
Saímos para dar uma volta pela cidade, mas como era dia de Natal, praticamente tudo estava fechado. El Chaltén estava bem mais silenciosa do que nos outros dias, com poucas pessoas nas ruas e um clima de descanso típico da data.
Aproveitei para passar novamente no Viento Oeste e acabei comprando um bastão de trekking retrátil por ARS 70, um valor bem mais barato do que encontramos no Brasil.
Mesmo com a cidade mais calma, foi bom caminhar um pouco e aproveitar esse ritmo diferente do lugar, antes de seguir para o restante do dia.
Voltamos para a cabana, descansamos um pouco, tomamos um bom banho para relaxar depois do dia e, em seguida, fomos dormir.
O cansaço acumulado de mais uma jornada na Patagônia pesava no corpo, mas a sensação era de satisfação por tudo o que havíamos vivido até ali.

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