21 de dezembro de 2010
E finalmente chegou o grande dia!
Acordamos cedo e seguimos para o Aeroporto de Guarulhos, ansiosos para iniciar nossa aventura pela Patagônia. Mas antes mesmo de embarcar, enfrentamos o primeiro grande perrengue da viagem.
Na hora de separar os documentos para o check-in, meu pai percebeu que havia trazido a carteira profissional do Conselho, muito parecida com o RG, em vez do documento de identidade. Naquele instante minhas pernas amoleceram. Sem RG, ele não poderia embarcar.
Entramos em contato com minha mãe, que estava em Curitiba. Rapidamente ela encontrou o documento e o enviou por SEDEX 10 para ser entregue no próprio Correio do aeroporto na manhã seguinte. Para nossa surpresa, o funcionário dos Correios comentou que situações como essa acontecem com frequência.
Corremos para a loja da Aerolíneas Argentinas, onde fomos muito bem atendidos. Conseguimos remarcar a passagem do meu pai para o dia seguinte, mas surgiu outro problema: todos os voos para El Calafate estavam lotados. A única alternativa seria tentar embarcar em Buenos Aires caso surgisse alguma desistência.
Com o coração apertado, chegou a hora da despedida. Deixamos meu pai sozinho no aeroporto de Guarulhos e seguimos viagem. Sabíamos que, se os três permanecêssemos aguardando a chegada do documento, provavelmente enfrentaríamos dificuldades ainda maiores para conseguir lugares no trecho entre Buenos Aires e El Calafate.
Nosso voo, previsto para as 11h45, acabou atrasando e só decolou às 12h55. Durante a viagem, não consegui evitar a tristeza ao olhar para a poltrona que deveria estar ocupada pelo meu pai. Ver outra pessoa sentada ali me trouxe uma mistura de preocupação, saudade e insegurança. Algumas lágrimas insistiam em escapar enquanto eu tentava acreditar que tudo daria certo.
Chegamos ao Aeroparque, em Buenos Aires, e encontramos um verdadeiro caos. O aeroporto estava lotado, com inúmeros voos atrasados e filas enormes nos balcões de check-in. Mesmo assim, conseguimos despachar as malas e fazer todos os procedimentos a tempo. Nosso voo para El Calafate, marcado para as 16h55, decolou às 17h20.
Finalmente, às 20h20, pousamos em El Calafate. E foi durante a aproximação que tivemos nossa primeira grande recompensa da viagem: com o céu completamente limpo, consegui avistar o majestoso Fitz Roy pela janela do avião. Um espetáculo inesquecível e um sinal de que, apesar dos contratempos, nossa aventura estava apenas começando.
Desembarcamos em El Calafate já no início da noite, cansados, mas aliviados por finalmente termos chegado. Fomos até a agência da AVIS, onde também fomos muito bem atendidos, e rapidamente retiramos o carro que nos acompanharia nessa parte da viagem.
Com tudo resolvido, seguimos em direção à cidade para encontrar nossa pousada. Ficamos hospedados no Sir Thomas, um quarto triplo com café da manhã incluso, pelo valor de ARS 240,00. Fomos muito bem recepcionados pela proprietária Gabriela, que nos recebeu com simpatia e deixou tudo mais leve depois de um dia tão intenso.
Depois de nos instalarmos, saímos para tentar contato com meu pai e saber como tudo estava indo. Para nossa alegria, ele conseguiu remarcar todos os voos. Agora, o que restava era torcer para que o SEDEX 10 com o RG chegasse dentro do prazo, garantindo que ele pudesse embarcar no dia seguinte sem maiores preocupações.
Apesar do cansaço, aquela ligação trouxe um certo alívio. Aos poucos, começávamos a sentir que, mesmo com todos os imprevistos, a viagem finalmente estava entrando nos trilhos.
Encerramos o dia com um jantar simples, mas muito bem-vindo depois de tantas emoções.
Fomos até a Cafeteria e Pizzaria La Esquina, um lugar aconchegante, perfeito para uma refeição rápida e reconfortante. Pedimos raviole, milanesa, papas fritas, além de dois refrigerantes e uma água. Tudo isso saiu por PAR 123,00, um valor justo para repor as energias depois de um dia tão intenso.
Depois do jantar, voltamos para a pousada em silêncio, já sentindo o cansaço bater forte. Sem muita demora, nos recolhemos para descansar. Era preciso recarregar as energias — o dia seguinte ainda poderia trazer muitas emoções com a chegada do RG e a possível reunião com meu pai.
E assim terminou nosso primeiro dia em El Calafate: cheio de perrengues, alívio e a sensação de que a viagem, enfim, começava a ganhar forma.
P.S.: Até a manhã do dia 22, ainda não sabíamos se meu pai havia conseguido embarcar. A ansiedade continuava, e cada atualização do celular parecia carregar o peso de todo o início da viagem.
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