22 de dezembro de 2010
Acordamos por volta das 8h e tomamos o café da manhã da pousada, que deixou um pouco a desejar, mas já era suficiente para começar o dia.
Logo depois, fui até um orelhão/locatório para ligar para meu pai e saber se tudo tinha dado certo com o envio do RG. E finalmente veio o alívio: deu certo!
Ele conseguiu receber o documento graças ao SEDEX 10. E aqui vai uma dica importante para quem precisar desse tipo de serviço no Aeroporto de Guarulhos: ao endereçar para “A/C Agência dos Correios do Aeroporto de Guarulhos”, é fundamental colocar entre parênteses o nome completo da pessoa que vai retirar o documento. No nosso caso, quase houve um problema sério, pois minha mãe havia colocado apenas o nome dele no A/C e, inicialmente, o material poderia ser devolvido ao remetente. Por sorte, ele ficou de plantão na agência e conseguiu interceptar o entregador no momento certo e retirar o RG sem maiores complicações.
Com tudo resolvido, veio a notícia que estávamos esperando: ele conseguiria embarcar e chegaria em El Calafate às 19h.
A sensação foi de alívio imediato — depois de tanta tensão, finalmente o caminho parecia se alinhar para que a viagem, de fato, começasse para todos nós.
Mais tranquilos ao saber que meu pai já estava a caminho, seguimos de carro costeando o Lago Argentino.
A paisagem era simplesmente deslumbrante. O lago, de um verde-água intenso, contrastava com o cenário ao redor e criava um dos visuais mais marcantes da viagem. Era impossível não parar algumas vezes para admirar e registrar o momento — cada ângulo parecia uma nova pintura.
A estrada, estreita e silenciosa, revelava vistas ainda mais impressionantes. De um lado, montanhas nevadas se erguiam imponentes no horizonte; do outro, o lago gelado exibia blocos de icebergs flutuando lentamente, como se o tempo ali tivesse outro ritmo.
No meio desse cenário quase cinematográfico, pequenas casinhas isoladas surgiam entre a vegetação árida, reforçando uma atmosfera ao mesmo tempo bonita e melancólica. Era um contraste forte, mas que deixava tudo ainda mais especial.
Seguimos devagar, apenas absorvendo cada detalhe dessa paisagem única da Patagônia.
Depois seguimos de carro até Punta Bandera, ponto de partida dos passeios que levam ao Glaciar Upsala.
Ao chegarmos, fomos recebidos por um vento forte e uma chuva fina e gelada, típica da Patagônia. O clima não colaborava muito, mas também não tirava a beleza do lugar — pelo contrário, deixava tudo ainda mais autêntico e selvagem.
Mesmo com o frio e a instabilidade do tempo, aproveitamos para tirar algumas fotos. O contraste entre o céu cinzento, o vento cortante e a imensidão do ambiente criava uma atmosfera única, daquelas que marcam a viagem não só pelas paisagens, mas pela experiência em si.
Seguimos por lá por um tempo, absorvendo o cenário e nos preparando para o próximo trecho do dia.
Seguimos então rumo ao Lago Roca, pela Ruta 15 e depois pela Ruta 60. A estrada já fica dentro do Parque Nacional Los Glaciares, o que por si só já torna o trajeto interessante, cercado por natureza e grandes paisagens.
No entanto, o tempo não ajudou muito. A chuva constante deixava tudo com um ar mais cinzento e apagado, e até os cenários que normalmente seriam deslumbrantes acabaram parecendo mais melancólicos. Ainda assim, seguimos o caminho e fizemos o trajeto com calma, aproveitando o que o clima permitia.
Depois disso, retornamos para El Calafate.
Já na cidade, almoçamos na La Lechuzita. Pedimos um sanduíche de frango com fritas no prato e um sanduíche de lomito (bife) também com fritas no prato, acompanhados de dois refrigerantes. O almoço saiu por PAR$ 94,00 e foi perfeito para recuperar as energias depois da manhã de estrada e chuva.
Voltamos para o Hospedaje e aproveitamos para descansar um pouco. O corpo pedia uma pausa depois de tantas horas na estrada, sob chuva e vento, e também depois de toda a tensão dos últimos dias.
Enquanto isso, ficamos apenas aguardando o horário de sair para buscar meu pai no aeroporto. A expectativa agora era outra: não mais a incerteza dos dias anteriores, mas a ansiedade boa de finalmente reencontrá-lo e ter a viagem completa, com todos juntos em El Calafate.
Por volta das 19h, seguimos até o aeroporto para finalmente buscar meu pai. Aproveitei a espera e atualizei o blog, registrando tudo o que estávamos vivendo até aquele momento — cada perrengue, cada alívio e cada passo dessa jornada que estava, aos poucos, se completando.
Com a chegada dele ainda por vir naquele horário, retornamos para a cidade. Aproveitamos o deslocamento para resolver algumas pendências práticas da viagem, como a troca de dólares.
Depois disso, seguimos para jantar, encerrando o dia com a sensação de que, enfim, a família estava prestes a se reunir novamente e a viagem começava a ganhar um novo ritmo.
A conversão entre Real e Peso Argentino estava bem mais vantajosa por aqui em El Calafate, o que facilitava um pouco os gastos do dia a dia. Já a troca de Dólar por Peso Argentino parecia ser mais interessante em Buenos Aires, onde as cotações costumam ser melhores.
Essas diferenças acabam fazendo parte do planejamento financeiro da viagem e mostram como vale a pena ficar atento às taxas em cada cidade para aproveitar melhor o orçamento.
Encerramos o dia jantando novamente no La Lechuzita, um lugar simples, mas muito prático para quem está em El Calafate.
Dessa vez, pedimos uma sopa de abóbora (bem cremosa e reconfortante), cerdo (porco) com papas, milanesa com fritas, além de uma cerveja artesanal de Viedma — que, por sinal, estava muito boa — e um refrigerante. O jantar saiu por PAR$ 124,00.
Depois de um dia de deslocamentos, espera e reencontros, foi uma refeição perfeita para fechar a noite com calma, já sentindo que a viagem começava a entrar em um ritmo mais leve e organizado.
Voltamos para o Hospedaje, tomamos um bom banho para relaxar depois de mais um dia intenso e, sem muita demora, fomos dormir.
O cansaço era grande, mas a sensação era de alívio: aos poucos, tudo estava se encaixando e a viagem finalmente ganhava um ritmo mais tranquilo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário