quarta-feira, 3 de junho de 2026

El Calafate a El Chalten - Laguna Torre - Argentina

 23 dezembro de 2010


Acordamos por volta das 6h30, tomamos café da manhã e aproveitamos alguns ingredientes que havíamos comprado na noite anterior em um mercado local para preparar sanduíches simples para levar no caminho.

Depois, nos despedimos da Gabriela, proprietária do Hospedaje Sir Thomas, que nos recebeu muito bem durante a estadia. Já deixamos combinado nosso retorno no dia 27, quando faríamos o minitrekking no Glaciar Perito Moreno e voltaríamos a nos hospedar ali novamente.

Nesse momento também organizamos os últimos detalhes do passeio: realizamos o pagamento do minitrekking, que custou US$ 100 por pessoa (sem incluir o transfer até o parque). Além disso, no dia da atividade, ainda seria necessário pagar a entrada do Parque Nacional, no valor de ARS 75,00 por pessoa.

Com tudo encaminhado, estávamos prontos para seguir viagem e viver mais um dos pontos altos da Patagônia.





Seguimos então rumo a El Chaltén. A estrada já começou a viagem como um espetáculo à parte — simplesmente linda.

Ao longo dos 220 km entre El Calafate e El Chaltén, fizemos o trajeto com calma, levando cerca de 3 horas, já que paramos várias vezes para admirar a paisagem e tirar fotos. Era impossível não interromper o caminho: a cada curva, surgia um novo cenário ainda mais impressionante.

Logo na saída de El Calafate, já foi possível avistar o Fitz Roy no horizonte, imponente e nevado, como um guia natural indicando o caminho. A visão era de tirar o fôlego e deixava claro que estávamos entrando em uma das regiões mais bonitas da Patagônia.

O trajeto inteiro foi marcado por esse tipo de momento — estrada, silêncio, vento e paisagens que pareciam não ter fim.




Quase chegando a El Chaltén, já era possível avistar ao longe o Glaciar Viedma, surgindo entre as montanhas como mais um cenário impressionante da Patagônia.

A aproximação da cidade só aumentava a expectativa. El Chaltén é um verdadeiro charme: pequena, muito organizada e cercada por paisagens que parecem abraçar todo o entorno. Tudo ali transmite uma sensação de tranquilidade e conexão com a natureza.

Era o tipo de lugar que já conquista à primeira vista, deixando claro que os próximos dias seriam ainda mais especiais.





Chegamos à nossa cabana, a Cabañas Austral, deixamos as malas e logo saímos para explorar um pouco a cidade a pé.

El Chaltén tem um clima bem característico — e o vento forte é praticamente parte da paisagem. Caminhar por suas ruas abertas, sentindo a força do vento e observando o entorno montanhoso, já foi uma experiência por si só.

Mais tarde, paramos para almoçar em um restaurante pequeno e simples, mas muito acolhedor. Pedimos milanesa à parmegiana, peito de frango e outra milanesa, todos acompanhados de batatas e refrigerantes. O almoço saiu por PAR$ 183,00.

Foi uma refeição bem servida e perfeita para repor as energias antes de continuar explorando essa cidade encantadora.



Logo depois do almoço, voltamos à cabana, pegamos nossas mochilas de ataque com os sanduíches preparados e seguimos em direção à trilha da Laguna Torre.

Antes de iniciar a caminhada, passei no Viento Oeste para alugar um bastão de trekking. O processo foi bem simples: o valor era de ARS 5 por dia, com a necessidade de deixar um caução de ARS 55, equivalente ao valor de um bastão novo. Ao final do aluguel, o valor dos dias utilizados seria descontado desse depósito.

Para quem preferir comprar, havia também bastões retráteis novos por cerca de ARS 75, um preço bem mais baixo do que o que meu pai e meu esposo haviam pago no Brasil. A loja, aliás, chama atenção: tem uma boa variedade de equipamentos de trekking e roupas, tudo com valores bem mais acessíveis do que estamos acostumados.

Com tudo pronto, seguimos para a trilha da Laguna Torre, animados para mais uma experiência na Patagônia.



Iniciamos a trilha pela região do Chaltén Norte, e logo nos primeiros 15 minutos já veio o primeiro desafio: uma subida bem íngreme, daquelas que fazem o fôlego ir embora rápido.

Apesar do esforço inicial, a trilha se revelou extremamente bonita. O caminho é cercado por paisagens impressionantes, com montanhas, vegetação típica da região e vistas que tornam cada parada uma recompensa.

Seguimos em ritmo constante e, ao final, completamos o percurso até a Laguna Torre em cerca de 3 horas — exatamente o mesmo tempo estimado pelos folders informativos. Foi uma sensação ótima perceber que conseguimos manter um bom desempenho, mesmo com o início puxado da caminhada.

A chegada valeu cada passo do caminho.



Na Laguna Torre, o cenário estava bastante típico do clima patagônico: muito vento, chuviscos constantes e o Cerro Torre encoberto pelas nuvens, que insistiam em não se abrir para revelar sua imponência.

Mesmo assim, o lugar não perdeu sua beleza. No lago, alguns icebergs flutuavam tranquilamente, compondo uma paisagem fria e ao mesmo tempo fascinante. Como não poderia faltar, fui até a margem e peguei um pedaço de gelo para sentir de perto — e até experimentar um pouco da água gelada da Patagônia.

Depois de um tempo apreciando o ambiente, iniciamos a volta pela mesma trilha. Mais uma vez, completamos o percurso em cerca de 3 horas, totalizando aproximadamente 11 km no total, exatamente como previsto. Foi uma caminhada intensa, mas muito recompensadora, marcada por paisagens únicas e pela sensação de missão cumprida.




De volta à cidade, passamos no mercado para comprar algumas coisas para o jantar e o café da manhã do dia seguinte. Gastamos cerca de ARS 180,00, já pensando na logística do próximo passeio.

Na cabana, preparei uma macarronada simples, mas deliciosa, com hambúrguer — a carne daqui realmente é excelente e fez toda a diferença na refeição.

Enquanto isso, acertei com a Cláudia, proprietária das Cabañas, o transfer até a Hostería El Pilar, que nos custou ARS 40,00 por pessoa. A ideia era começar a trilha da Laguna de Los Tres por esse ponto, o que nos permitiria fazer praticamente só descida na volta, passando pela Laguna Capri, tornando o percurso mais estratégico e menos desgastante.

Depois disso, tomamos banho, organizamos tudo com calma e fomos descansar. Amanhã seria dia de encarar a trilha da Laguna de Los Tres — ainda mais puxada, mas também uma das mais esperadas de toda a viagem.



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