12 de outubro de 2010
Olá amigos!
Que pena... mais um feriado prolongado chegou ao fim! E desta vez a viagem foi tão intensa que ainda estou sentindo os efeitos no corpo. Minhas pernas e braços estão doloridos de tanto nadar — mas, convenhamos, esse é o melhor tipo de cansaço que existe.
Então, deixa eu contar como foi...
Saímos de São Paulo no voo das 6 horas da manhã com destino a Cuiabá, no sábado, dia 9 de outubro. Chegamos por volta das 8h30 ao Aeroporto de Várzea Grande e já tivemos que acertar os relógios, voltando uma hora no tempo.
Nossa primeira aventura começou antes mesmo de pegar a estrada. Ficamos cerca de uma hora esperando atendimento na locadora AVIS. Havia apenas uma funcionária responsável por tudo: atender os clientes, fazer os contratos e realizar a vistoria dos veículos. Mas faz parte... afinal, foi também a opção mais econômica que encontramos. Alugamos um Celta 1.0 básico por quatro dias, com franquia de 100 km por dia, mais 125 km extras e lavagem incluída, tudo por R$ 326,00.
Finalmente na estrada, seguimos em direção a Nobres. Para evitar um trecho maior de estrada de terra, optamos por fazer o percurso passando pela região do Lago do Manso, caminho que reduz cerca de 48 quilômetros de chão batido.
A escolha valeu a pena.
A estrada é belíssima e, ao longo do trajeto, os paredões da Chapada dos Guimarães surgem no horizonte, compondo uma paisagem impressionante. Quanto mais nos aproximávamos, mais aumentava nossa vontade de voltar com calma para explorar a região. Se a vista da estrada já é capaz de impressionar, imagino que os atrativos da Chapada devam ser simplesmente imperdíveis.
Mas isso fica para uma próxima viagem...
A estrada para Nobres estava passando por um processo de terraplanagem, o que fazia com que alguns trechos fossem excelentes e outros simplesmente péssimos. Confesso que sofri mais dirigindo por ali do que em muitos trechos da Carretera Austral! Qualquer pedrinha parecia encontrar o protetor de cárter do carro. Apesar disso, dá para percorrer o trajeto tranquilamente com um veículo baixo, desde que se tenha um pouco de paciência.
Chegamos ao Recanto Lagoa Azul perto do meio-dia e fomos recebidos com muita simpatia pelo proprietário, o Toninho. O almoço já estava servido e nos esperando.
E que almoço!
Sinceramente, acho que nunca comi tão bem em uma viagem. A comida era caseira, muito saborosa, farta e preparada com aquele tempero que lembra almoço de família. Fiquei encantada com a culinária mato-grossense, especialmente com o feijão, que estava simplesmente divino.
Depois do almoço fomos conhecer nossa acomodação. O quarto era simples, mas extremamente confortável. As roupas de cama e banho eram limpas e cheirosas, havia ar-condicionado e o banheiro era enorme. Tudo muito bem cuidado.
Recomendo sem nenhuma dúvida.
Como o primeiro passeio saía da própria pousada, não perdemos tempo. Logo após o almoço seguimos para o Aquário e a Flutuação no Rio Salobra.
O passeio é simplesmente maravilhoso.
No Aquário é possível observar duas nascentes que brotam diretamente das rochas a vários metros de profundidade. A transparência da água impressiona, mas o que realmente chama a atenção é sua coloração azul intensa, quase irreal. Os peixes nadam tranquilamente ao redor dos visitantes, criando uma experiência incrível já nos primeiros minutos.
Para a atividade, a pousada fornece todo o equipamento necessário: colete salva-vidas, máscara de mergulho e papete, já incluídos no valor do passeio.
Em seguida começa a flutuação pelo Rio Salobra. Durante aproximadamente 600 metros você praticamente se deixa levar pela correnteza, observando peixes de diversas espécies em seu habitat natural. A visibilidade da água é impressionante e dá a sensação de estar dentro de um enorme aquário natural.
Por questões de preservação ambiental, os visitantes não podem tocar o fundo do rio. Além de evitar a suspensão de sedimentos que prejudicam a transparência da água, a regra também existe por segurança, já que não é raro encontrar algumas arraias pelo caminho.
Ao todo, o passeio dura cerca de duas horas e meia e, na época da nossa viagem, custava apenas R$ 50,00 por pessoa. Um excelente custo-benefício para uma experiência que certamente ficará na memória.
Vale muito a pena!
Cansados, mas encantados com o primeiro dia em Nobres, voltamos para a pousada, tomamos um banho revigorante e seguimos para jantar na Vila Bom Jardim, que fica a cerca de 18 km do Recanto Lagoa Azul.
E nem preciso dizer que o jantar estava tão bom quanto o almoço, não é?
O cardápio incluía peixe frito, carne de panela, arroz, feijão, salada e uma farofa simplesmente maravilhosa. Jantamos no Restaurante WF e saímos de lá mais uma vez impressionados com a culinária local.
No pacote que contratamos para o feriado estava incluída pensão completa, mas acredito que, para quem não estiver hospedado, o valor de cada refeição não deva ultrapassar os R$ 20,00 por pessoa. Um ótimo custo-benefício.
Depois do jantar retornamos à pousada e fomos dormir cedo. Afinal, o dia seguinte prometia mais aventuras.
Na manhã seguinte acordamos descansados, tomamos um excelente café da manhã e seguimos para a fazenda vizinha, o Reino Encantado, onde faríamos outra flutuação em uma nascente do Rio Salobra.
E que lugar lindo!
Logo na nascente é possível observar a água brotando diretamente do solo arenoso, formando pequenas bolhas que dão a impressão de que a areia está fervendo. É um fenômeno fascinante e hipnotizante de observar.
O percurso tem aproximadamente 500 metros e, como naquele horário estávamos apenas eu, meu esposo e o guia, fizemos o passeio sem pressa, aproveitando cada detalhe do caminho.
Confesso que imaginei que a experiência seria muito parecida com a do dia anterior. Afinal, estávamos no mesmo rio e em uma propriedade vizinha.
Mas eu estava completamente enganada.
Apesar de compartilhar as mesmas águas cristalinas do Rio Salobra, este trecho possui características muito diferentes. Aqui predominam as formações rochosas e os extensos jardins de algas submersas, que balançam suavemente com a correnteza e criam um cenário quase mágico.
A combinação da transparência da água, das pedras, das algas e dos peixes transforma o passeio em uma experiência completamente diferente da anterior. Era como visitar um novo rio.
A cada metro percorrido eu tinha mais certeza de que Nobres é um daqueles destinos capazes de surpreender mesmo quando você acha que já viu o melhor que ele tem a oferecer.
Após cerca de duas horas de passeio no Reino Encantado, retornamos à pousada, onde já nos aguardava o guia que nos levaria para a próxima atividade do dia: o famoso boia cross.
Seguimos para uma propriedade na Vila Roda d'Água, onde descemos aproximadamente 600 metros por um rio de correnteza suave, deixando-nos levar tranquilamente pela água cristalina.
Mas o grande diferencial desse passeio não está na adrenalina — até porque a correnteza é bastante tranquila — e sim na oportunidade de observar a natureza ao redor.
Se você permanecer em silêncio, consegue ouvir uma verdadeira sinfonia da mata. Durante o percurso observamos diversas espécies de pássaros, muitos macacos-prego, lagartos e peixes. Em determinado momento, avistamos até uma ave que, segundo o próprio guia, ele nunca tinha visto por ali. Foi uma surpresa para todos.
Ao final da atividade, almoçamos na própria fazenda. E que almoço!
Foi servida uma deliciosa galinha caipira preparada com aquele tempero caseiro que parece ser uma especialidade dos mato-grossenses. A cada refeição eu me apaixonava um pouco mais pela culinária da região.
Depois do almoço, aproveitamos para descansar um pouco. Tiramos um cochilo, demos mais alguns mergulhos para aliviar o calor e, no final da tarde, seguimos para um dos passeios mais famosos de Nobres: a Lagoa das Araras.
E a única palavra capaz de descrevê-la é: espetacular.
Estávamos em plena época de acasalamento das araras, e o espetáculo ao entardecer foi simplesmente inesquecível. À medida que o sol se aproximava do horizonte, dezenas de aves começaram a chegar à lagoa.
Durante cerca de uma hora e meia ficamos observando mais de uma centena de araras, além de papagaios e diversas outras espécies, que transformavam o local em uma verdadeira explosão de cores, sons e movimento.
A cada minuto novas aves pousavam nas árvores secas que cercam a lagoa, criando uma cena digna de documentário.
Havia também vários fotógrafos equipados com lentes profissionais que, mesmo com a luz já diminuindo, conseguiam registrar imagens impressionantes. Confesso que fiquei com uma invejinha daqueles equipamentos...
Quando o espetáculo terminou e a noite começou a cair, retornamos à Vila Bom Jardim para jantar. Depois seguimos de volta para a pousada.
Mais um dia perfeito chegava ao fim.
E a sensação era a de que Nobres ainda guardava muitas surpresas para nós.
No dia seguinte partimos para um dos passeios mais aguardados da viagem: a Cachoeira da Serra Azul.
Logo cedo encontramos o guia que nos acompanharia durante a visita. Seguimos até a fazenda onde fica o atrativo e, já na chegada, tivemos uma pequena amostra das dimensões das propriedades rurais da região. Da porteira de entrada até a sede da fazenda eram "apenas" 9 quilômetros!
Na sede recebemos os equipamentos necessários para o passeio — colete salva-vidas, máscara de mergulho e papete — e depois seguimos de carro até o início da trilha.
A partir dali começou a parte que exigiu um pouco mais de fôlego.
Descemos e subimos uma longa escadaria com cerca de 400 degraus em meio à vegetação, mas todo o esforço foi recompensado assim que chegamos ao destino.
A Cachoeira da Serra Azul é simplesmente deslumbrante.
A água possui uma transparência impressionante e um tom azul-esverdeado que parece ter saído de uma fotografia editada. Ao redor, dezenas de peixes nadam tranquilamente, completando um cenário que parece mais um aquário natural do que uma cachoeira.
Mas a maior surpresa estava reservada para quem se aventurasse a explorar um pouco mais.
Ao lado da cachoeira existe uma pequena queda d'água cuja temperatura é surpreendentemente mais quente que a do restante da água. Sim, uma espécie de "mini cachoeira aquecida" em plena natureza!
Segundo os guias, a explicação seria que parte da água fica represada em áreas rasas expostas ao sol, aquece durante o dia e depois percorre fissuras nas rochas antes de reaparecer próxima à cachoeira principal. Não sei afirmar se essa teoria é cientificamente correta, mas confesso que, naquele momento, pouco importava. O fato é que a diferença de temperatura era perceptível e bastante curiosa.
Ficamos um bom tempo admirando a paisagem, mergulhando e observando os peixes naquele cenário de águas cristalinas.
Mais uma vez, Nobres mostrava que consegue surpreender seus visitantes a cada novo passeio. E eu já começava a entender por que tantas pessoas voltam para a região mais de uma vez.
Depois de quase duas horas aproveitando a Cachoeira da Serra Azul, retornamos para a Vila Bom Jardim, almoçamos e seguimos para o passeio da tarde: a flutuação no Rio Triste.
E já vou adiantar uma coisa:
FOI O MELHOR PASSEIO DE TODA A VIAGEM!
Sério, se eu tivesse que escolher apenas uma atividade para recomendar em Nobres, provavelmente seria essa.
O Rio Triste tem características bem diferentes dos outros rios que visitamos. Seu leito é formado por rochas com desenhos e formatos tão perfeitos que, em vários momentos, parece impossível acreditar que aquilo seja obra da natureza. Algumas formações lembram verdadeiros bancos de pedra esculpidos manualmente no fundo do rio.
Mas não foram apenas as rochas que nos impressionaram.
O rio é mais largo e possui uma correnteza mais forte que a dos demais passeios, tornando a flutuação muito mais dinâmica e divertida. Em vez de simplesmente deslizar lentamente pela água, você sente que está realmente sendo conduzido pelo rio, o que deixa a experiência ainda mais emocionante.
E então vieram os peixes.
Muitos peixes.
Peixes grandes.
Muito grandes!
O encontro mais marcante foi com um dourado gigantesco. Sem exagero, ele devia ter cerca de 80 centímetros de comprimento. E que cara de poucos amigos ele tinha! Confesso que fiquei um pouco intimidada quando o vi se aproximando. Só a cabeça daquele peixe parecia maior que a largura da minha coxa — e olha que minha coxa não é pequena!
Mas o auge do passeio ainda estava por vir.
Avistamos quatro arraias ao longo da descida. A primeira delas era simplesmente enorme. Para quem se lembra dos antigos discos de vinil, ela tinha praticamente o tamanho de um LP. Foi uma daquelas cenas que fazem todo mundo parar de nadar por alguns segundos apenas para observar.
A transparência da água permitia enxergar cada detalhe dos animais e das formações rochosas, tornando a experiência ainda mais impressionante.
Gostamos tanto do passeio que descemos o rio duas vezes.
E, ao final, não restava mais nenhuma dúvida: aquela havia sido a melhor flutuação de toda a viagem.
No fim da tarde retornamos para a Vila Bom Jardim e passamos na Agência Rota das Águas para fazer uma pequena alteração na programação do dia seguinte.
Estava previsto visitarmos o Balneário Estivado, mas havíamos passado em frente ao local e, sinceramente, ele não nos chamou muita atenção. Então negociamos uma troca: abrimos mão do passeio, do almoço e do jantar previstos para o último dia em troca de mais uma visita ao Aquário e à flutuação no Rio Salobra.
A proposta foi aceita na hora.
Saímos da agência satisfeitos com a mudança, voltamos para a pousada e fomos dormir.
Afinal, nosso último dia em Nobres ainda prometia mais algumas horas mergulhados naquele paraíso de águas cristalinas.
No último dia da viagem resolvemos repetir o passeio que mais havia nos encantado logo na chegada: o Aquário e a flutuação no Rio Salobra.
Algumas pessoas podem achar estranho repetir um passeio em uma viagem tão curta, mas quem já esteve em Nobres provavelmente vai entender nossa decisão. A transparência da água, a quantidade de peixes e a tranquilidade do lugar fazem com que cada descida pelo rio pareça diferente da anterior.
Foi a maneira perfeita de encerrar aqueles dias de contato intenso com a natureza.
Depois da flutuação, chegou a hora das despedidas.
Nos despedimos do Toninho e da Mary, proprietários do Recanto Lagoa Azul, que nos receberam com uma hospitalidade incrível durante toda a estadia. Aliás, essa foi uma característica marcante da viagem: a simpatia das pessoas. Em todos os lugares por onde passamos fomos recebidos com atenção, cordialidade e aquele jeito simples e acolhedor que faz qualquer visitante se sentir em casa.
Com a sensação de missão cumprida, pegamos a estrada de volta para Cuiabá.
Como ainda tínhamos algumas horas antes do voo, aproveitamos para dar uma volta pelo Shopping Pantanal, fazer um último lanche e nos despedir, aos poucos, do Mato Grosso.
Por volta das 19h30 devolvemos o carro na unidade da AVIS do aeroporto. Desta vez o atendimento foi rápido e eficiente, o que ajudou a encerrar a viagem sem nenhum contratempo.
Pouco depois embarcamos de volta para São Paulo.
E assim terminou mais um feriado prolongado.
Curto demais para quem gosta de viajar.
Mas longo o suficiente para nos mostrar um destino surpreendente, com águas cristalinas, paisagens incríveis, excelente gastronomia e um povo extremamente acolhedor.
Voltamos para casa cansados, com os músculos reclamando de tantos mergulhos e flutuações, mas com a certeza de que Nobres foi uma das melhores surpresas de viagem que já tivemos.
E como acontece com quase todo lugar especial, saímos de lá já pensando em quando poderíamos voltar.
Nobres realmente faz jus à fama que vem conquistando entre os amantes do ecoturismo. A região é linda, preservada e oferece experiências que dificilmente encontramos em outros lugares do Brasil.
Percebemos que a Agência Rota das Águas vem realizando um importante trabalho de organização turística, integrando pousadas, fazendas, guias e restaurantes locais. Essa união beneficia tanto os visitantes quanto os moradores da região e contribui para que o turismo cresça de forma mais estruturada.
A Vila Bom Jardim ainda possui uma infraestrutura simples, especialmente quando comparada a destinos turísticos mais consolidados. No entanto, essa simplicidade também faz parte do seu charme. A sensação é de estar visitando um lugar autêntico, onde a natureza ainda é a principal atração.
Acreditamos que nos próximos anos a região passará por grandes transformações, principalmente com a melhoria das estradas e a chegada do asfalto. Isso certamente facilitará o acesso e atrairá ainda mais visitantes.
Durante nossa estadia, praticamente todos os turistas que encontramos eram de Cuiabá e arredores. Nós parecíamos ser os únicos visitantes de fora da região. Segundo os guias, entretanto, já é comum a presença de turistas vindos de São Paulo, do Sul do Brasil e até mesmo de outros países.
Apesar da infraestrutura ainda estar em desenvolvimento, não deixe que isso o desanime. Nobres é um destino para quem valoriza a natureza acima de tudo. É o lugar ideal para quem deseja desacelerar, esquecer os horários, mergulhar em rios cristalinos, observar a vida selvagem e aproveitar o ritmo tranquilo da vida no campo.
Saímos de lá encantados com a hospitalidade das pessoas, com a qualidade da comida, com a beleza das águas e com a sensação de estar conhecendo um destino que ainda mantém muito de sua essência.
Se você gosta de ecoturismo, de rios transparentes repletos de peixes, de paisagens preservadas e de lugares ainda pouco explorados pelo turismo de massa, coloque Nobres na sua lista.
Nós recomendamos sem nenhuma dúvida.
E temos a sensação de que, em poucos anos, muita gente ainda vai descobrir esse pequeno paraíso escondido no coração do Mato Grosso.
















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